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A vida, a morte e a eternidade de Ozzy Osbourne

Redação Culturize-se

Ozzy Osbourne, que faleceu aos 76 anos, deixa um legado que moldou para sempre o curso da música pesada. Tanto como vocalista do Black Sabbath quanto em carreira solo, ele transformou o hard rock e o heavy metal em forças culturais globais. Sua influência no gênero é frequentemente comparada ao impacto dos Beatles no pop e no rock – e com razão: Ozzy não foi apenas um cantor, foi um fenômeno.

Embora nunca tenha sido considerado um vocalista tecnicamente brilhante, a voz de Osbourne transmitia algo ainda mais vital: emoção bruta. Fosse ameaça, medo, desespero ou fúria, Ozzy tinha o dom de dar vida à escuridão das letras do Sabbath. A sonoridade sombria e implacável da banda – conduzida pelos riffs arrasadores de Tony Iommi, o lirismo sombrio de Geezer Butler e a bateria trovejante de Bill Ward – criou um modelo que incontáveis bandas tentaram imitar, mas jamais igualaram. O Sabbath conseguia balançar e soar grooveado mesmo em meio ao apocalipse; uma sutileza que muitos dos seus seguidores não conseguiram capturar.

O álbum de estreia do Sabbath, de 1970, já começava com “Black Sabbath”, uma faixa que, sozinha, inaugurava um novo território sonoro. Seu riff arrepiante, o andamento lento e os vocais assustadores de Ozzy estabeleceram o que logo seria chamado de heavy metal. Ainda naquele ano, “Paranoid” – escrita às pressas – deu à banda seu primeiro grande sucesso e permanece como uma das músicas mais regravadas do rock. Faixas como “War Pigs”, “Iron Man” e “Into the Void” vieram na sequência, cada uma expandindo os limites emocionais e sonoros do gênero. “Symptom of the Universe”, de 1975, chegou a antecipar o thrash metal anos antes de o estilo surgir oficialmente.

A carreira solo de Ozzy também começou com força, graças ao guitarrista Randy Rhoads. Seus dois primeiros álbuns solo, “Blizzard of Ozz” e “Diary of a Madman”, apresentavam a técnica virtuosa e melódica de Rhoads, e faixas como “Mr. Crowley” e “Crazy Train” se tornaram clássicos instantâneos. Após a trágica morte de Rhoads, em 1982, Ozzy seguiu com outros músicos talentosos, como Zakk Wylde, e, em 1991, lançou uma de suas baladas mais comoventes: “Mama, I’m Coming Home”. A canção virou assinatura de sua carreira – especialmente após ser apresentada por Ozzy, sentado em um trono, em sua última apresentação ao vivo semanas atrás, ainda irradiando a mesma paixão que marcou sua trajetória.

Foto: Reprodução/Internet

A onda de pesar e admiração após sua morte reflete o impacto profundo e duradouro que ele deixou na música. Artistas de diversas gerações – de Elton John a Post Malone, de Metallica a Yungblud – expressaram amor e gratidão. Mike McCready, do Pearl Jam, relembrou como descobrir “War Pigs” no ensino médio o transportou para o “universo sombrio de Ozzy”. O Judas Priest homenageou seu legado eterno, e o Pantera creditou a existência da banda a ele.

Yungblud, um dos pupilos recentes de Ozzy, fez um tributo emocionado no palco do Back to the Beginning, concerto beneficente que marcou a última performance de Osbourne. Ao interpretar uma versão sombria de “Changes”, Yungblud descreveu Ozzy como “o maior de todos os tempos”, e disse que a cruz que recebeu dele é sua posse mais valiosa. “Você nos levou na sua aventura – uma aventura que começou tudo”, escreveu.

As homenagens vieram de todos os cantos do mundo musical. Elton John o chamou de “um amigo querido e desbravador… uma das pessoas mais engraçadas que já conheci.” Tom Morello, do Rage Against the Machine, declarou: “Deus te abençoe, Ozzy.” Flea, do Red Hot Chili Peppers, afirmou: “Ozzy é rei, nunca haverá outro. Muito depois de todos nós partirmos, as pessoas ainda o ouvirão e entenderão o que é rock de verdade.”

Embora a vida de Ozzy tenha sido marcada por controvérsias, excessos e lutas pessoais, ela também foi definida por resiliência, criatividade e um amor infinito pela música. Ele foi um pioneiro, um ícone e, para muitos, um salvador – guiando gerações através da escuridão com sua voz, seus riffs e sua pura presença. Com sua morte, o mundo perde um dos últimos verdadeiros deuses do rock. Mas a música de Ozzy Osbourne, barulhenta, selvagem e desafiadoramente viva, ecoará para sempre. Vida longa ao Príncipe das Trevas.

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