Reinaldo Glioche
Marlon Wayans não parece estar abalado com a recepção crítica de seu novo filme de terror com temática de futebol americano, “Goat”, que estreou nos cinemas brasileiros no último final de semana.
O ator estrela a produção ao lado de Tyriq Withers, sob direção de Justin Tipping, e com Jordan Peele como produtor. O longa estreou em segundo lugar na bilheteria dos EUA com projeção de US$ 13,5 milhões — abaixo das estimativas iniciais de US$ 15 milhões. No Brasil, sequer apareceu entre os dez filmes mais vistos do último fim de semana.
A crítica foi cruel com o filme, que realmente ostenta problemas de foco e padece no manejo das muitas simbologias aventadas, mas não é ruim como o consenso projetou. Wayans recorreu ao Instagram para defender o projeto diante das críticas negativas, que levaram o filme a ter apenas 28% de aprovação no Rotten Tomatoes. Sua postagem incluiu um carrossel de notas do site para alguns de seus trabalhos anteriores, que se tornaram queridos pelo público, como “As Branquelas” e os dois primeiros “Todo Mundo em Pânico”.
“Só para deixar claro… Eu respeito os críticos”, escreveu Wayans na legenda. “O trabalho deles é criticar. Respeito o que fazem. Isso molda a nossa indústria. Mas uma opinião não significa necessariamente que seja a opinião de todos. Alguns filmes estão à frente do seu tempo. A inovação nem sempre é abraçada e a arte deve ser interpretada — ela é subjetiva.”
O ator continuou: “Tive uma carreira fazendo filmes clássicos que não foram bem recebidos pela crítica, e esses filmes acabaram se tornando CLÁSSICOS. Então, não se prenda à opinião de ninguém, apenas vá assistir por si mesmo. Amor a todos. “Him” (título original do longa) nos cinemas agora.”

A reflexão ensejada por Wayans é oportuna. Não é de hoje que a indústria mata um filme a partir de sua bilheteria de estreia. Também não é de hoje a obsessão pelo índice de aprovação da crítica em agregadores como o Rotten Tomatoes. O tema já foi objeto de contestações de figuras como Martin Scorsese, Darren Aronofsky, David Fincher, entre outros. Não se trata de uma crítica empoderada. Na verdade, temos uma crítica de cinema precarizada, pobre de ideias e repertório e que não parece capaz de estimular leitores a ir além do óbvio. São críticas condensadas para agregadores.
Não que “Goat” seja vítima dessa condição, mas o fracasso do filme e a forma pesada e onerosa como ele se impõe à opinião pública cristalizam um fenômeno de difícil desmobilização não apenas em Hollywood, mas fundamentalmente nos padrões de consumo de entretenimento na contemporaneidade.