Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Precificação dinâmica chega aos supermercados e gera debate

Redação Culturize-se

Consumidores na Noruega já se acostumaram a ver os preços de produtos como ovos e leite mudarem diante de seus olhos, graças às etiquetas eletrônicas nas prateleiras. Em supermercados REMA 1000, os preços podem ser alterados até 100 vezes por dia para se equiparar à concorrência. Partap Sandhu, chefe de precificação da rede, descreve isso como uma “corrida para o menor preço”.

Especialistas preveem que a precificação dinâmica em supermercados chegará em breve aos Estados Unidos, citando a Europa como um exemplo do futuro. Essa perspectiva gerou alarmes entre legisladores e consumidores americanos, que temem que as etiquetas eletrônicas permitam aumentos de preços em horários de pico ou durante eventos climáticos. A senadora Elizabeth Warren e o senador Bob Casey, por exemplo, enviaram uma carta à rede Kroger expressando preocupação de que a tecnologia possa ser usada para “explorar os consumidores e aumentar lucros”.

Apesar das apreensões, empresas como Kroger e Whole Foods afirmam que não planejam usar as etiquetas para precificação dinâmica, mas sim para economizar tempo dos funcionários e reduzir o desperdício de papel. No entanto, o termo “precificação dinâmica” evoca o modelo de “preços flutuantes” (surge pricing) de serviços como Uber e aplicativos de passagens aéreas, o que gera desconfiança. O caso do Wendy’s, que causou polêmica ao anunciar planos de testar a precificação dinâmica, é um exemplo de como a ideia pode ser mal interpretada e gerar medo de preços exorbitantes.

Joel Rampoldt, CEO da Lidl US, admite ao The Wall Street Journal que a precificação dinâmica “arrepia” e que a percepção inicial do consumidor é que a tecnologia será usada para aumentar preços de forma mais eficiente. Especialistas ouvidos pelo jornal norte-americano, como o professor Ioannis Stamatopoulos, porém, acreditam que os temores de preços flutuantes são exagerados. Um estudo recente que ele co-escreveu concluiu que as etiquetas eletrônicas não levaram a preços baseados na demanda em supermercados americanos. Stamatopoulos explica que é difícil detectar aumentos de demanda em tempo real nos corredores e que os varejistas temem perder clientes se os preços subirem na hora do pagamento.

O analista David Bellinger prevê que, à medida que as etiquetas digitais se espalharem, os consumidores verão mudanças de preço, mas espera que elas sejam infrequentes, ocorram fora do horário comercial e, principalmente, sejam reduções, pois aumentos de preço “causariam muitos problemas”.

Isso pode te interessar

Arquitetura & Urbanismo

Primeira Bienal brasileira aposta em identidade e contexto para repensar o espaço construído

Reportagens

Comemorações dos 50 anos da Funarte fortalecem a Cultura do Brasil

Cinema

Aos 100 anos, Odeon representa resistência do cinema de rua no Rio

Questões Políticas

Caiado é prenúncio da direita que flerta com o pós-bolsonarismo

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.