Reinaldo Glioche
O palco está montado para um retorno digno de um drama shakespeariano. Karla Sofía-Gascón, a estrela indicada ao Oscar cuja ascensão foi manchada por controvérsias, escolheu não o caminho da apologia imprudente, mas sim o trapézio de aço da arte. Seu próximo ato? Um thriller psicológico em que ela “incorpora Deus e o Diabo”, como uma pessoa envolvida com a produção confidenciou à Variety.
O novo longa promete ser um conto claustrofóbico em que Gascón interpretará uma psiquiatra confrontando o infamemente imprevisível Vincent Gallo, outro ator notório por suas polêmicas. Seu Gabriel—um neurótico recluso escondido em um cortiço de Nova York—é atormentado por notas Post-it que o ordenam matar seus vizinhos, que por sua vez estão planejando parricídio. Se você pensou em Roman Polanski, não está errado. As referências vão desde “Repulsa ao Sexo” a “O Inquilino”, com um toque da inquietação característica de Gallo.
Stefania Rossella Grassi, a autora italiana cujo curta sobre feminicídio “Preludio” causou sensação em festivais, criou um roteiro que promete ser “perturbador, vívido e hipnótico”. As filmagens estão programadas para começar no final do ano, com um orçamento modesto: $3 milhões.
Controvérsia e catarse
Gascón, cuja campanha ao Oscar por “Emilia Pérez” foi manchada por tweets ressurgidos considerados ofensivos, escolheu um papel que ecoa sua própria jornada pública—uma figura tanto de bênção quanto de maldição. Gallo, enquanto isso, traz suas próprias cicatrizes: seu filme não lançado “The Policeman” foi investigado pelo SAG-AFTRA após alegações de conduta inapropriada.
A primeira atriz trans indicada ao Oscar também tem programados para seu futuro o filme “Las Malas”, do diretor argentino Armando Bó, em que ela interpreta a líder de um grupo de prostitutas transexuais que adotam um bebê abandonado, e a comédia italiana “Homens e Outros Inconvenientes”, este último já finalizado.