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Skydance redefine a Paramount: foco no cinema e estratégia seletiva para streaming

Reinaldo Glioche

Após a aquisição de US$ 8 bilhões da Paramount Global pela Skydance, o CEO David Ellison deixou claro: a nova Paramount não está correndo atrás da corrida dos filmes originais para streaming – a aposta é forte nos cinemas.

Em uma coletiva em Los Angeles, Ellison e o presidente Jeff Shell reafirmaram o compromisso com lançamentos robustos nas salas, distanciando-se das estratégias “direto para o streaming” adotadas por alguns concorrentes. Shell, que no período da NBCUniversal encurtou a janela de exibição teatral de 90 para apenas 17 dias, disse que cada filme deve ter um modelo próprio e que o cinema é “crítico” para o negócio.

Ellison foi mais enfático: o debate entre filmes para streaming e lançamentos em cinema “acabou”. A nova chefe de streaming, Cindy Holland, resumiu: “Filmes para streaming não são prioridade para mim.”

O CEO da Paramount David Ellison e Cindy Holland, chefe da divisão de streaming | Foto: Paramount

Essa postura integra uma estratégia corporativa maior, que Ellison chama de “criação de valor a longo prazo”. As ações subiram dois dígitos na primeira semana, e o executivo, apoiado pela RedBird Capital, já posicionou sua equipe como operadores estratégicos e negociadores de peso em Hollywood. Logo após a fusão, a Paramount fechou acordo para “High Side”, projeto de Timothée Chalamet e James Mangold, sinalizando que o estúdio pretende ampliar a produção para até 20 filmes por ano, acima da média recente de 11 a 14.

Com os recursos da Skydance, a Paramount pretende financiar integralmente suas grandes franquias — como “Top Gun” e “Star Trek” — sem dividir os lucros com parceiros. Um terceiro “Top Gun” já está em desenvolvimento, enquanto o universo “Star Trek” terá dois novos filmes. Também estão na lista “Transformers”, “Um Lugar Silencioso – Parte III”, e a continuação de “As Tartarugas Ninja: Caos Mutante”.

No streaming, Holland vai ampliar o portfólio comprando produções externas, mesclando lançamentos semanais e temporadas completas de uma vez. As marcas já consolidadas, como “Star Trek” e o universo “Yellowstone”, seguirão no centro, mas novas aquisições buscarão atrair públicos variados.

Para Ellison, a Paramount 2.0 deve equilibrar tradição cinematográfica e inovação tecnológica, apostando em experiências imersivas nas salas e um streaming mais estratégico. “Não queremos ser a Netflix. Queremos ser algo diferente”, disse.

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