Redação Culturize-se
Em cartaz na CAIXA Cultural Brasília desde outubro, a exposição “Nossos Brasis: entre o sonho e a realidade” propõe uma imersão inédita em cem anos de arte brasileira, reunindo, pela primeira vez, obras provenientes de acervos do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. A mostra apresenta 79 trabalhos de 50 artistas, construindo uma narrativa visual que atravessa o período de 1920 a 2020 e revela o Brasil como território de contrastes, invenções e permanentes reinvenções.
Com curadoria de Denise Mattar, uma das principais especialistas em arte brasileira no país, a exposição foge de uma leitura cronológica tradicional e se organiza em três núcleos interconectados — Vozes dos Trópicos, Vozes da Rua e Vozes do Silêncio. A proposta estabelece novas conexões entre períodos, linguagens e modos de representação, colocando em diálogo artistas consagrados do modernismo com produções contemporâneas e da arte urbana.
Entre os nomes centrais do acervo estão Tarsila do Amaral, Burle Marx, Beatriz Milhazes, Lygia Pape, Hélio Oiticica, Djanira e Candido Portinari, ao lado de artistas como Eduardo Kobra, que representa a força da cultura visual das ruas. Um dos grandes destaques da mostra é a obra Carnaval (1930), de Di Cavalcanti, que passou quase 90 anos fora do Brasil e retornou ao país há poucos anos, tornando-se um símbolo do resgate da memória artística nacional.

O núcleo Vozes dos Trópicos explora o imaginário do Brasil exuberante e solar, atravessado por tensões históricas e simbólicas. Já Vozes da Rua evidencia a potência criativa do Brasil popular, das festas, rituais e do cotidiano coletivo. Por fim, Vozes do Silêncio aborda dimensões íntimas e psicológicas, tratando de temas como espiritualidade, dor, exclusão e memória, com obras de artistas como Arthur Bispo do Rosário, Maria Auxiliadora e Farnese de Andrade.
Nossos Brasis se afirma como uma experiência sensorial e educativa. A exposição conta com recursos de acessibilidade, como audiodescrição, Libras e materiais táteis, além de visitas mediadas e oficinas profissionalizantes em comunidades. Realizada pela CAIXA Cultural Brasília em parceria com a Agência Pira, com patrocínio da CAIXA e do Governo do Brasil, a mostra segue em cartaz até 18 de janeiro de 2026, convidando o público a revisitar a arte brasileira como espelho vivo de um país plural e em constante transformação.