Redação Culturize-se
Ted Sarandos, co-CEO da Netflix, está empenhado em destacar que a gigante do streaming não é inimiga das salas de cinema; uma afirmação que ganha novo peso no contexto da proposta de aquisição de US$ 82,7 bilhões da Warner Bros. e da HBO Max. Em teleconferência com investidores, Sarandos reforçou que a empresa “espera” manter o modelo de lançamentos teatrais do estúdio caso o negócio seja aprovado, uma posição estratégica para suavizar tensões com Hollywood e reguladores.
Segundo o executivo, a Netflix lançou 30 filmes nos cinemas em 2025, ainda que com janelas de exibição mais curtas do que as praticadas pelos grandes estúdios. O problema, diz ele, nunca foi o cinema em si, mas as longas exclusividades. “As janelas vão evoluir para algo mais amigável ao consumidor”, afirmou, sinalizando que tanto produções da Warner quanto da Netflix devem continuar tendo lançamentos exclusivos, porém mais breves.
A estratégia envolve também fortalecimento de títulos prestigiados. A empresa mantém um padrão de estrear em salas filmes cotados para prêmios, como “Jay Kelly”, “Frankenstein”, “Casa de Dinamite”, além de preparar um lançamento em IMAX para “Narnia: The Magician’s Nephew”. A Netflix inclusive investiu na compra e restauração de cinemas emblemáticos, como o Paris, em Nova York, e o Egyptian, em Los Angeles.
Ainda assim, o ceticismo domina o setor de exibição. Donos de salas e associações reagiram com dureza ao anúncio do acordo, argumentando que o modelo de negócios da Netflix ameaça a sobrevivência das redes. Michael O’Leary, CEO da Cinema United, classificou a fusão como “uma ameaça sem precedentes” ao mercado global de exibição.
Enquanto Sarandos tenta reposicionar a narrativa, a desconfiança revela o desafio central do acordo, que é conciliar a lógica do streaming com a tradição, e a fragilidade, do cinema.