Redação Culturize-se
A Microsoft segue avançando com seu plano de transformar o Windows 11 em uma plataforma profundamente integrada à inteligência artificial, mas a estratégia vem sendo cada vez mais criticada por comprometer a usabilidade básica do sistema operacional. Essa frustração ganhou novo fôlego neste mês, depois que uma atualização com falhas do Windows quebrou temporariamente uma das funções mais elementares de um PC: desligar.
O problema surgiu com o primeiro patch de segurança do ano, lançado em 13 de janeiro. Em vez de melhorar a estabilidade do sistema, a atualização introduziu um bug relacionado ao recurso System Guard Secure Launch que impedia alguns usuários de desligar ou hibernar corretamente suas máquinas. Os PCs afetados ficavam presos em um loop infinito de desligamento, permanecendo ligados ou reiniciando em vez de serem desligados. Além do transtorno, a falha criou riscos potenciais de segurança para dispositivos deixados sem supervisão e provocou consumo desnecessário de energia.
A Microsoft reagiu emitindo uma correção emergencial fora do ciclo regular de atualizações ao longo do fim de semana — um passo incomum que, nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais frequente. Embora o problema tenha se limitado a dispositivos com Windows 11 versão 23H2, especificamente nas edições Enterprise e IoT, o impacto simbólico foi negativo. Uma função central do sistema operacional falhar em decorrência de uma atualização de segurança é difícil de justificar, independentemente da escala.
O episódio intensificou críticas mais amplas à ofensiva agressiva da Microsoft em torno da IA. A empresa vem descrevendo abertamente o Windows 11 como um “sistema operacional agentivo” e uma “tela para a IA”, incorporando o assistente Copilot em toda a interface — do Explorador de Arquivos a recursos experimentais como Copilot Vision e Copilot Actions, que permitem à IA analisar a tela do usuário e agir em seu nome. A Microsoft também tem testado repetidamente novas formas de exibir botões do Copilot ao longo do sistema.
A reação negativa nas redes não demorou. No início do mês, “Microslop” virou tendência como provocação à adesão do CEO Satya Nadella ao uso de código e conteúdo gerados por IA, especialmente após ele revelar que cerca de 30% do código da Microsoft já é escrito com auxílio de inteligência artificial. Mesmo internamente, a obsessão por IA parece causar ruídos: a empresa fechou recentemente a biblioteca de seu campus em Redmond, substituindo-a pelo que chama de uma “experiência de aprendizado alimentada por IA”. Para os críticos, o recado é claro: inovação é bem-vinda, mas não às custas da confiabilidade.