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Mercado fonográfico brasileiro é o 8º em ranking mundial

Redação Culturize-se

O Brasil consolidou em 2025 sua posição entre as potências mundiais da música gravada. O mercado fonográfico nacional faturou R$ 3,9 bilhões no ano, crescimento de 14,1% em relação a 2024. O desempenho levou o país a subir para a 8ª colocação no ranking global da Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI). Em 2024, o Brasil ocupava o 9º lugar; dois anos atrás, o 10º. A trajetória ascendente é consistente e, segundo o relatório anual da Pro-Música Brasil, reflete tanto a criatividade dos artistas nacionais quanto o papel estratégico das gravadoras no desenvolvimento do ecossistema musical.

O número impressiona ainda mais quando comparado ao desempenho mundial. Enquanto o mercado fonográfico global cresceu 6,4% em 2025, puxado principalmente pelo streaming, o Brasil avançou em ritmo mais que duas vezes superior à média. A América Latina, da qual o Brasil é o principal motor, foi a região com maior crescimento percentual no mundo no período.

Streaming domina, vinil surpreende

O streaming consolidou sua hegemonia como principal fonte de receita do setor. A modalidade gerou R$ 3,4 bilhões em faturamento, com alta de 13,2% nas receitas digitais em relação ao ano anterior. O crescimento contínuo do número de assinantes de plataformas de distribuição musical foi o principal combustível da expansão pelo quinto ano consecutivo.

Mas um dado chama atenção pelo contraste com a era digital: as vendas físicas, embora representem menos de 1% da receita total do setor, cresceram 25,6% em 2025, puxadas pela demanda por discos de vinil. O formato analógico, dado como morto há décadas, segue sua surpreendente trajetória de ressurgimento entre colecionadores e fãs que buscam uma experiência de escuta mais tangível e afetiva.

O relatório da Pro-Música aponta ainda um aumento relevante na arrecadação de direitos conexos de execução pública para produtores, artistas e músicos — uma sinalização de que os ganhos do crescimento do setor têm chegado, ao menos em parte, a mais elos da cadeia criativa.

O cenário positivo, no entanto, convive com dois alertas que o presidente da Pro-Música Brasil, Paulo Rosa, classifica como as maiores prioridades do setor no Brasil e no mundo.

O primeiro é o uso não autorizado de gravações protegidas por direitos autorais para o treinamento de sistemas de inteligência artificial generativa; um processo conhecido como “mineração de dados”. Para a entidade, a prática representa uma ameaça concreta ao modelo de investimento que sustenta a indústria musical. “A IA generativa, capaz de criar conteúdos de qualquer natureza, requer proteção adequada aos direitos de criadores e produtores de bens culturais”, afirma Rosa. A Pro-Música defende que o Congresso Nacional atue para garantir que o avanço tecnológico ocorra com respeito aos direitos sobre criações humanas, com transparência sobre quais conteúdos são utilizados nos processos de treinamento das ferramentas.

Foto: Pexels

O segundo problema é mais imediato e financeiramente devastador para artistas e produtores: a fraude em streaming. Pessoas e empresas de má-fé utilizam bots, “fazendas de cliques” e outros mecanismos para gerar reproduções artificiais de faixas, desviando receitas que deveriam ser destinadas a quem de fato criou o conteúdo musical. A distorção prejudica tanto os pagamentos de direitos quanto a credibilidade das métricas de popularidade nas plataformas.

A Pro-Música tem atuado sistematicamente para combater a prática. Nos últimos anos, mais de 130 sites dedicados ao impulsionamento artificial de streaming foram encerrados ou deixaram de oferecer esse tipo de serviço — 60 deles apenas em 2025. No mesmo ano, uma decisão judicial implementou no Brasil o bloqueio da maior plataforma internacional especializada na venda de manipulação artificial de likes, seguidores e streams musicais.

Um setor que cresce e cobra atenção

Os dados de 2025 foram divulgados pela Pro-Música Brasil na quarta-feira (18), simultaneamente ao anúncio das estatísticas globais pela IFPI. Para Paulo Rosa, o resultado é “coerente com o desempenho da região latino-americana, que vem apresentando índices consistentemente mais altos de expansão do setor fonográfico do que a média mundial.”

O mercado brasileiro de música gravada chega quase aos R$ 4 bilhões anuais em um momento em que as regras do jogo estão sendo reescritas pela inteligência artificial, pela digitalização e por agentes que tentam se beneficiar do crescimento alheio. O desafio do setor é garantir que a festa continue, mas com ingresso para quem realmente a construiu.

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