Redação Culturize-se
A Marquise do Parque Ibirapuera, um dos mais emblemáticos patrimônios da arquitetura modernista brasileira, será reaberta ao público no próximo dia 25 de janeiro, após passar por um amplo e criterioso processo de retrofit. O conjunto, projetado por Oscar Niemeyer em 1954 e tombado pelos órgãos de preservação, recebeu intervenções que conciliam fidelidade histórica, desempenho técnico e soluções contemporâneas de engenharia.
Um dos pontos centrais da obra foi a recuperação da platibanda, área de grande extensão e visibilidade da Marquise. Para essa etapa, foram especificadas pastilhas de porcelana massa plena da Cerâmica Atlas, escolhidas pela capacidade de reproduzir com precisão o acabamento original, ao mesmo tempo em que atendem às exigências atuais de durabilidade, segurança e desempenho para fachadas.
O estudo para a reforma se estendeu por vários anos, dada a complexidade do conjunto arquitetônico e a necessidade de preservar rigorosamente a integridade estética do projeto original. As pastilhas históricas, no formato 2 × 2 cm, compunham uma das superfícies brancas características da Marquise. Segundo Cristina Ricciardi Brisighello, diretora da Cerâmica Atlas, a experiência prévia da empresa em obras de restauro foi decisiva. “Já tínhamos atuado em projetos como o Edifício Copan, também de Niemeyer. Isso permitiu desenvolver rapidamente um produto altamente específico. Em apenas 15 dias apresentamos uma amostra baseada no revestimento original”, afirma.
Um dos maiores desafios foi a definição da tonalidade correta, já que o branco original não correspondia ao branco puro contemporâneo. A partir da coleta de amostras históricas e de análises laboratoriais, a Atlas desenvolveu a cor adequada, aplicada em mais de 1.000 metros quadrados de revestimento. A intervenção envolveu a remoção integral do material existente e sua substituição por novas pastilhas, mantendo rigorosamente as características visuais exigidas pelo tombamento.
A porcelana massa plena também se destaca pelo alto desempenho técnico. Com absorção de água inferior a 0,5% e expansão por umidade significativamente abaixo do limite normativo, o material oferece estabilidade dimensional e elevada durabilidade, sendo especialmente indicado para fachadas expostas às variações climáticas.
A obra reflete um movimento mais amplo de retomada dos retrofits em São Paulo, especialmente em edificações históricas. Para o setor, a reabertura da Marquise simboliza não apenas a preservação de um ícone modernista, mas também a consolidação de soluções técnicas capazes de conectar passado e futuro na paisagem urbana.