Redação Culturize-se
O Theatro Municipal de São Paulo apresenta uma nova leitura da ópera “Macbeth”, de Giuseppe Verdi, sob direção cênica e cenografia de Elisa Ohtake e direção musical de Roberto Minczuk. As apresentações acontecem entre 31 de outubro e 9 de novembro, com ingressos que variam de R$ 10 a R$ 210. A montagem reúne o Coro Lírico Municipal e a Orquestra Sinfônica Municipal, além de um elenco internacional: Marigona Qerkezi e Olga Maslova se revezam no papel de Lady Macbeth, enquanto Craig Colclough e Douglas Hahn interpretam Macbeth. O figurino é assinado por Gustavo Silvestre e Sônia Gomes, e o desenho de luz, por Aline Santini.
Baseada na tragédia de William Shakespeare, “Macbeth” foi estreada em 1847, em Florença, e marca um ponto de virada na carreira de Verdi. A trama acompanha a ascensão e a queda de um guerreiro escocês dominado pela ambição e pela manipulação de sua esposa, Lady Macbeth. Seduzido pelas profecias das bruxas, o protagonista assassina o rei Duncan e assume o trono, apenas para ser consumido pela culpa e pela paranoia. Em sua jornada, Verdi transforma o texto shakespeariano em música de potência trágica, que expõe os dilemas morais e psicológicos de seus personagens com intensidade emocional.

Na nova montagem, Elisa Ohtake propõe uma interpretação atemporal e simbólica, em que a ganância, o poder e a culpa se manifestam por meio de elementos visuais de forte impacto. “Quis trazer a liberdade do teatro contemporâneo para a ópera, criando um diálogo entre cenário e direção. Trabalhei a ideia de ‘hybris’, o excesso e o colapso, presentes tanto em Shakespeare quanto em Verdi”, explica a diretora. O cenário reforça esse desequilíbrio: Lady Macbeth espalha sangue pelas paredes, o bosque das bruxas surge como uma área desmatada e as estruturas do castelo parecem desabar sobre os personagens. A proposta é tensionar o sublime e o sombrio, com o “círculo dourado” da coroa aparecendo apenas ao final da ópera como símbolo de poder e destruição.
Com trajetória reconhecida nas artes cênicas, Elisa Ohtake é diretora, cenógrafa e pesquisadora premiada pela APCA. Sua montagem de Macbeth promete combinar rigor musical e ousadia visual, reafirmando o Theatro Municipal como espaço de experimentação estética e de diálogo entre tradição e contemporaneidade.