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IA generativa redefine buscas, conteúdo e a disputa das marcas pela atenção do consumidor

Redação Culturize-se

O ecossistema digital encerrou 2025 sinalizando uma virada estrutural no comportamento dos usuários. O modelo que sustentou a internet por quase três décadas (buscar no Google, clicar em um link e consumir o conteúdo em um site) perdeu centralidade. A inteligência artificial generativa deixou de ser um complemento e passou a ocupar a linha de frente da experiência online, reorganizando a forma como informações são acessadas, consumidas e monetizadas.

Dados do Laboratório de Inovações da Europol indicam que, até o fim de 2026, entre 90% e 96% de todo o conteúdo disponível na web terá origem sintética. Embora o levantamento tenha sido motivado por preocupações com cibersegurança, seus efeitos extrapolam o campo policial e impactam diretamente o marketing digital, o SEO e a construção de marca. Em um ambiente saturado por textos automatizados, a atenção do usuário se tornou ainda mais disputada — e mais difícil de capturar.

A introdução dos AI Overviews, respostas geradas por IA no topo dos resultados de busca, intensificou o debate sobre a chamada “era do zero clique”. No entanto, uma análise da liveSEO, agência especializada em SEO, aponta um cenário menos dramático do que se imaginava. Em 2025, o volume de buscas cresceu cerca de 10%, mesmo com a queda do tráfego orgânico direcionado aos sites. Ainda assim, a receita de e-commerces acompanhados pela agência permaneceu estável.

Segundo Lorena Martins, CMO da liveSEO, a mudança deslocou o foco do tráfego para a relevância. “O usuário quer a resposta pronta, e a marca precisa ser a fonte dessa resposta. O SEO deixou de ser sobre cliques e passou a ser sobre autoridade”, afirma.

Essa transição é sustentada por alterações profundas na engenharia dos buscadores. O Google passou a priorizar o chamado Block Rank, sistema que avalia trechos específicos de conteúdo com base em contexto semântico, e não mais na repetição de palavras-chave. Para as empresas, isso significa abandonar estratégias mecânicas e investir em narrativas mais densas, multimodais e coerentes.

Em um ambiente inundado por conteúdo genérico gerado por IA, a expertise humana tornou-se o principal diferencial competitivo. Algoritmos passaram a privilegiar o chamado People-First Content, baseado em experiências reais, dados proprietários e compreensão profunda das dores do usuário. “A IA prioriza quem demonstra entendimento genuíno do problema, não quem apenas descreve um produto”, explica Laís Mikeyla, coordenadora de estratégias de SEO.

Foto: Unplash

O próximo passo dessa transformação aponta para a chamada Web Agêntica, em que agentes de IA realizarão buscas e transações de forma autônoma. Nesse cenário, ser rastreável, confiável e semanticamente claro para máquinas será tão importante quanto falar com pessoas. Para as marcas, a sobrevivência dependerá menos de aparecer e mais de ser reconhecida como a melhor resposta possível.

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