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Domínio do ChatGPT e novos hábitos digitais contrastam com dificuldades de escalar IA

Redação Culturize-se

A inteligência artificial generativa atravessa um momento de consolidação no Brasil e no cenário corporativo global, mas suas implicações vão muito além da popularização de ferramentas como ChatGPT ou Perplexity. A pesquisa “O Futuro da Busca”, conduzida pela Cadastra em parceria com a Similarweb, e o relatório global da McKinsey sobre o estado da IA em 2025 convergem em um diagnóstico semelhante. A tecnologia avança rapidamente no comportamento do consumidor e nas rotinas empresariais, mas ainda encontra barreiras significativas para gerar impacto em escala. A transição está em curso, mas não concluída.

No Brasil, a adoção de IA generativa para buscas e compras online já alterou a dinâmica do e-commerce. O ChatGPT domina 99% do mercado nacional, com 310 milhões de acessos apenas em agosto de 2025, somando mais de 6,1 milhões de visitas enviadas aos dez maiores varejistas do país desde 2023. O estudo mostra que a ferramenta da OpenAI se tornou um novo canal de descoberta e conversão, competindo diretamente com o Google; que, embora ainda relevante, vive retração gradual na busca tradicional. A ascensão do Perplexity, que dobrou de tamanho em um ano, reforça o redesenho acelerado do comportamento digital.

Essa mudança inaugurou o GEO (Generative Engine Optimization), disciplina que complementa o SEO tradicional ao priorizar não mais o ranqueamento em buscadores, mas a presença de marcas nas respostas geradas por modelos de linguagem. As consultas em IA são cinco vezes mais longas que as buscas tradicionais e duram, em média, mais de sete minutos. A integração do instant checkout ao ChatGPT levou a jornada de consumo para dentro das próprias respostas, reduzindo etapas e ampliando o potencial de conversão.

No entanto, a adoção maciça da IA pelo consumidor contrasta com a dificuldade das empresas em aplicá-la de forma estruturada. Segundo o estudo da McKinsey, 88% das organizações já usam IA em ao menos uma função, mas apenas um terço conseguiu escalar projetos para toda a empresa. Mesmo com o entusiasmo em torno dos agentes de IA, somente 23% das companhias já utilizam essas ferramentas de forma ampliada, concentradas sobretudo em TI e gestão do conhecimento.

Foto: Pixabay

O impacto financeiro também permanece modesto. Apenas 39% relatam algum efeito da IA sobre o EBIT, e na maioria dos casos abaixo de 5%. Os maiores ganhos aparecem em nichos específicos, como engenharia de software, manufatura e infraestrutura tecnológica. A principal contribuição, por enquanto, é qualitativa: inovação, diferenciação competitiva e melhoria da experiência do cliente.

O relatório destaca ainda disparidades entre setores. Empresas de tecnologia, mídia e telecomunicações, que já operam com grandes volumes de dados e infraestrutura robusta, são líderes na adoção de agentes de IA, automatizando suporte técnico, gestão de redes e processos internos. No setor de saúde, hospitais e clínicas avançam na organização de informações clínicas e em fluxos administrativos, enquanto telecomunicações têm ampliado a automação do atendimento e a manutenção preditiva. Áreas como marketing, vendas e finanças também começam a experimentar agentes de IA para personalização de campanhas e análises estratégicas, ainda que de maneira incipiente.

Essa assimetria revela que a IA já é prática comum, mas não transformação consolidada. As empresas que mais se destacam, apenas 6% da amostra, são as que tratam a tecnologia como vetor de mudança organizacional, redesenhando fluxos de trabalho, investindo mais de 20% do orçamento digital em IA e envolvendo diretamente as lideranças. São também as que mais preveem impactos significativos no emprego, seja por automação, seja por criação de novas funções.

A convergência entre os dois estudos aponta para um desafio duplo. Do lado do consumidor, a IA generativa já desloca plataformas tradicionais, altera métricas de desempenho e inaugura novas formas de descoberta e compra. Do lado das empresas, a adoção segue fragmentada, limitada por falta de estratégias unificadas, carência de talentos e dificuldade de escalar pilotos. O resultado é um cenário em que o consumidor avança mais rápido que o mercado e em que o potencial transformador da IA depende menos da tecnologia e mais da capacidade organizacional de absorvê-la.

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