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Horror vive ano mágico no Oscar, mas reconhecimento ainda é incógnita

Por Reinaldo Glioche

“O Silêncio dos Inocentes”, lançado em 1991, é um dos apenas três filmes da história a vencer as cinco principais categorias do Oscar — Melhor Filme, Diretor, Atriz, Ator e Roteiro Adaptado — em uma única cerimônia. À época, a vitória surpreendeu: os principais precursores daquele ano, como o BAFTA e o Globo de Ouro, apontavam para outros favoritos, como “Bugsy” e “O Príncipe das Marés”. Mais do que isso, nenhum filme de terror havia conquistado a estatueta de Melhor Filme antes. Outros do gênero, como “O Exorcista” e “Alien”, chegaram a ser indicados, mas a obra de Jonathan Demme foi a primeira a levar a estatueta.

Apesar da expectativa gerada pelo feito, o terror não se consolidou como presença regular nas principais categorias do Oscar nos anos seguintes. Filmes como “O Sexto Sentido” (1999) e “Corra!” (2017) chegaram à lista de Melhor Filme, mas “O Silêncio dos Inocentes” permanece o único representante do gênero a vencer. Atuações em filmes de terror também foram sistematicamente ignoradas pela Academia ao longo das décadas — casos como os de Toni Collette em “Hereditário” (2018), Lupita Nyong’o em Nós (2019), Florence Pugh em Midsommar (2019), Elisabeth Moss em O Homem Invisível (2020) e Mia Goth em Pearl (2022) geraram buzz considerável em círculos de críticos e premiações independentes, mas não se converteram em indicações ao Oscar.

O cenário começou a mudar no Oscar de 2025, quando Demi Moore recebeu a indicação ao Melhor Atriz por “A Substância”, um filme de body horror. Moore chegou como favorita após vencer os principais precursores, mas acabou perdendo para Mikey Madison, de “Anora”. No Oscar de 2026, o horror está presente de forma ainda mais ampla nas categorias gerais, com três filmes do gênero representados.

O primeiro é “Frankenstein”, de Guillermo del Toro, cineasta com histórico de reconhecimento pela Academia. O segundo é “A Hora do Mal”, que rendeu a Amy Madigan uma indicação ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pela interpretação da Tia Gladys — uma vilã de grande apelo visual que se tornou referência popular em fantasias de Halloween. O terceiro, e mais indicado, é “Pecadores”, filme de vampiros dirigido por Ryan Coogler, que recebeu 16 indicações, número recorde para um único filme na história da premiação.

Nas categorias de atuação, “Pecadores” ostenta três indicações: Michael B. Jordan concorre ao Melhor Ator por um papel duplo em que interpreta tanto um vampiro quanto um humano; Delroy Lindo e Wunmi Mosaku concorrem ao Melhor Ator e Melhor Atriz Coadjuvante, respectivamente. Jacob Elordi, de “Frankenstein”, também disputa o Melhor Ator Coadjuvante. A última atuação em um filme de terror a vencer o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante foi a de Ruth Gordon, em “O Bebê de Rosemary”, em 1969.

Foto: Reprodução/Internet

Fora das atuações, “Pecadores” é apontado como favorito em Melhor Roteiro Original. Já nas categorias de Melhor Diretor e Melhor Filme, o favoritismo pertence a “Uma Batalha Após a Outra”, de Paul Thomas Anderson. O diretor venceu o Directors Guild Award — prêmio com alto índice histórico de correspondência com o Oscar de Melhor Diretor. O filme também acumula vitórias no Critics Choice e no Globo de Ouro como Melhor Filme. As casas de apostas registram o longa com odds –280 e “Pecadores” a +270. O Producers Guild Award, outro precursor relevante, ainda não foi realizado.

Para os próximos ciclos, alguns filmes de terror e ficção científica já estão no radar de analistas de premiações. “A Noiva”, de Maggie Gyllenhaal, está previsto para o próximo mês. “Mother Mary’, de David Lowery, chega em abril. Para o Natal, está programado “Werwulf”, de Robert Eggers, cujo filme anterior, “Nosferatu”, recebeu quatro indicações ao Oscar de 2025. Jordan Peele também estaria desenvolvendo um novo projeto, mas o lançamento foi removido do calendário da Universal para 2026.

A presença crescente do terror nas categorias principais do Oscar ocorre em paralelo a outras mudanças no perfil dos filmes reconhecidos pela Academia, como o aumento de produções internacionais entre os indicados e a menor predominância de dramas históricos considerados típicos da premiação.

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