Reinaldo Glioche
É inegável que a CazéTV, que começou como uma ação entre amigos durante a pandemia e se consolidou como um titã das transmissões esportivas no Brasil com direitos da Copa do Mundo, Olimpíadas e campeonatos como Francês, Alemão e Europa League, entre tantos outros, revolucionou um mercado que parecia estagnado com a liderança absoluta da Globo e posições cômodas de players como Warner Bros. Discovery, Disney e Amazon. A CazéTV mostrou que havia um campo inexplorado e potencialmente lucrativo no YouTube, com uma proposta mais democrática de acesso ao conteúdo esportivo e com um tom mais brincalhão e voltado para o entretenimento – um aprofundamento do estilo consagrado por Tiago Leifert à frente do Globo Esporte há alguns anos.
Em junho a Disney começou a exibir jogos de futebol europeu no canal da ESPN no YouTube. A iniciativa integra uma estratégia para dimensionar os prós e contras de avançar no segmento. Mais agressiva, a Globo anunciou no fim de julho que estava montando um canal nos moldes da CazéTV na plataforma. A ideia é exibir produtos que a empresa já detém direitos de transmissão em um estilo despojado na mesma linha de Casemiro Miguel e sua trupe. As ligas de vôlei, ginástica, Brasileirão, Copa do Brasil e até Libertadores estão no pacote. A emissora, que saiu em busca de profissionais do esporte com boa penetração nas redes sociais, está engajada em conseguir mais direitos exclusivos para o canal – como jogos da NFL.

Esse movimento reforça o quão importante e estratégico os direitos de transmissões esportivas se tornaram no cenário não só da TV aberta, mas fundamentalmente do streaming. É uma tendência global. Como já abordado em diferentes ocasiões por esta coluna, Apple, Netflix, Paramount e Amazon se engajam cada vez mais na disputa por direitos que lhe assegurem fidelidade de assinantes e reserva de um mercado cada vez mais inflacionado.
A Globo age tão decidida e agressivamente porque sabe que a GE TV dará certo. A CazéTV demonstrou isso. O que é incerto, entretanto, é se há espaço para dois colossos das transmissões esportivas com o mesmo perfil no YouTube brasileiro. Mais: o que essa disputa ensejará para este campo? Haverá uma deflação para os direitos em plataformas pagas? São questões que este novo cenário que emerge no fim de 2025 jogam para 2026, quando muitos dos direitos de transmissão das principais ligas exibidas no Brasil entram em fase licitatória.