Por Reinaldo Glioche
As duas vitórias de “O Agente Secreto” na 83ª edição do Globo de Ouro, realizada no domingo (11), valem muito mais do que os feitos históricos em si que representam. Elas pavimentam uma rota promissora para o Oscar. A vitória de Wagner Moura, por exemplo, lhe dá gás em momento decisivo da corrida, já que a votação para os indicados do Oscar ocorre justamente nessa semana.
Se Moura ainda não é nome certo na maior premiação do cinema, a vitória – e o discurso calibrado – lhe colocam em posição de preponderância em relação a outros aspirantes, como Joel Edgerton (“Sonhos de Trem”), George Clooney (“Jay Kelly”) e Jesse Plemons (“Bugonia”). Timothée Chalamet (“Marty Supreme”), Leonardo DiCaprio (“Uma Batalha Após a Outra”), Michael B. Jordan (“Pecadores”) e Ethan Hawke (“Blue Moon”) já parecem assegurados.
A vitória no Globo de Ouro como Melhor Filme em Língua Não Inglesa, somada ao triunfo da última semana no Critics Choice Awards, dá a “O Agente Secreto” a condição de favorito na corrida pelo Oscar. O filme de Kleber Mendonça Filho, que também coleciona uma série vitórias em prêmios da crítica, é hoje o filme a ser batido na categoria. O que lhe dá condições de aspirar mais no Oscar. Categorias como Roteiro Original, Direção de Elenco e até mesmo Melhor Filme são possibilidades palpáveis.
O ano de Paul Thomas Anderson
Se “O Agente Secreto” está autorizado sonhar grande, parece indiscutível que “Uma Batalha Após a Outra” irá ganhar o Oscar de Melhor Filme. Grande vitorioso na temporada até o momento, o filme de Paul Thomas Anderson ganhou quatro troféus no Globo de Ouro e o diretor faturou as estatuetas de direção e roteiro. Ele nunca havia ganhado o prêmio. Essa ideia de grande realizador preterido, aliado ao fato de não ser um ano de grandes filmes, empurra seu nome para uma consagração no Oscar.

Autor de filmes excepcionais como “Trama Fantasma” (2017), “Magnólia” (1999) e “Sangue Negro” (2007), Anderson é um daqueles autores contemporâneos com margem baixíssima de erro e que agregam apuro estético à força dramática.
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“Hamnet”, hoje, parece o filme mais bem posicionado para desafiar esse favoritismo, mas ainda assim bem distante da força apresentada por “Uma Batalha Após a Outra”. O filme que ganhou o Globo de Ouro de Melhor Drama é dirigido por Chloe Zhao, que foi o grande destaque do Oscar 2021 com “Nomadland”, o que ajuda na conjuntura em prol de Anderson e seu filme.
Parece certo, também, que “Uma Batalha Após a Outra” e “Pecadores” rivalizem na liderança de indicações, com o primeiro e o norueguês “Valor Sentimental” disputando o recorde de indicações nas categorias de atuação na temporada. Outro ponto notável e que alimenta certa expectativa é o fato de que poderemos ter três filmes em língua não inglesa indicados ao Oscar, o que seria inédito. Além de “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental”, o vencedor da Palma de Ouro em Cannes, “Foi Apenas um Acidente”, pode aparecer entre os nomeados na principal categoria do Oscar.