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A guerra da IA muda de campo e passa pelos ecossistemas

Redação Culturize-se

O mercado de inteligência artificial generativa entrou 2026 em uma fase de reconfiguração estrutural, marcada pela perda de centralidade do modelo de “produto isolado” e pela consolidação da IA como infraestrutura embutida em serviços digitais de uso cotidiano. Dados do relatório Global AI Tracker, da Similarweb, mostram que o ChatGPT, da OpenAI, perdeu 22 pontos percentuais de participação em apenas 12 meses, caindo de 86,7% para 64,5% do tráfego global de ferramentas conversacionais baseadas em IA.

No mesmo intervalo, o Google Gemini apresentou crescimento vertiginoso. Sua fatia de mercado saltou de 5,7% para 21,5%, um avanço de quase 400% que reposicionou o equilíbrio competitivo do setor. O movimento se intensificou ao longo de 2025 e ficou mais evidente no último trimestre do ano, quando o ChatGPT registrou queda anual de 22% no volume de visitas, enquanto o Gemini cresceu 49% nas últimas 12 semanas do período.

A principal explicação para essa virada está na estratégia de distribuição. O Gemini deixou de ser tratado como um chatbot autônomo e passou a operar como uma camada cognitiva integrada a produtos já consolidados do ecossistema Google, como Gmail, Android, Busca e Google Workspace. Nesse modelo, o usuário não precisa “ir atrás” da IA: ela surge no próprio fluxo de trabalho, sugerindo respostas, resumindo conversas longas ou auxiliando na redação de textos.

Foto: Reprodução/Internet

A maior atualização do Gmail em duas décadas ilustra essa mudança. Com a chamada “era do Gemini”, cerca de 3 bilhões de usuários passaram a ter acesso a recursos de IA generativa diretamente na caixa de entrada. Dados divulgados pelo Google indicam que 70% dos usuários corporativos aceitaram sugestões do recurso Help Me Write, enquanto pesquisas internas mostram que a ampla maioria dos profissionais jovens deseja ferramentas de IA personalizadas e contextuais.

Apesar de manter a liderança, o ChatGPT enfrenta agora um cenário mais competitivo e concentrado. Juntas, as duas plataformas já controlam cerca de 85% do mercado global, tendência que deve se intensificar. O restante do setor encontra-se fragmentado: DeepSeek, da China, responde por cerca de 3,7% do tráfego; Grok, da xAI, por 3,4%, com crescimento impulsionado pela integração ao X; Perplexity AI e Claude, da Anthropic, giram em torno de 2% cada. O Copilot, da Microsoft, aparece com cerca de 1%, número considerado subestimado devido ao uso predominante em aplicações integradas.

A leitura desses dados, no entanto, exige cautela. A Similarweb mede apenas tráfego web, deixando de fora o uso via APIs e integrações nativas em aplicativos e ambientes corporativos. Ainda assim, a tendência é clara: a IA deixa de ser um destino e passa a ser infraestrutura, comparável à eletricidade ou à internet em sua ubiquidade.

Em entrevista recente, Koray Kavukcuoglu, CTO do Google DeepMind, reconheceu que a empresa esteve atrás na corrida até 2023 e precisou reformular seu processo de desenvolvimento. A mudança para um modelo integrado e orientado à usabilidade acelerou a maturidade do Gemini. “Modelos conversacionais são produtos; modelos orientados à ação são plataformas”, resumiu. Nesse novo paradigma, o valor está menos no bot e mais no ecossistema — um desafio direto para a OpenAI em um mercado cada vez mais dominado por gigantes de infraestrutura.

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