Redação Culturize-se
A Galeria Paulo Kuczynski, em São Paulo, inaugura no dia 16 de agosto, às 11h, a exposição De Fiori: Um artista no exílio, dedicada ao pintor, escultor e desenhista ítalo-alemão Ernesto de Fiori (1884–1945). Com cerca de 35 obras — entre pinturas, esculturas e desenhos —, a mostra reúne criações emblemáticas do período em que o artista viveu no Brasil, após se refugiar da Alemanha Nazista em 1936.
O núcleo da exposição vem da coleção de Ernesto Wolf e destaca o momento em que, longe das altas rodas intelectuais de Berlim, De Fiori reinventou-se na pintura. “Mesmo na tristeza do exílio, ele encontrou nas cores e na liberdade das pinceladas uma nova forma de expressão. Como dizia Benjamin Steiner, pintava com a gestualidade de um samurai em luta”, afirma Paulo Kuczynski.
Na Europa, De Fiori construiu renome como escultor, cultivando uma estética clássica e contida, voltada à tradição europeia. No Brasil, sua pintura ganhou protagonismo, explorando contrastes visuais por meio de pinceladas rápidas, solventes e instrumentos dentados. Entre as obras expostas, estão Família (1942), telas da série São Jorge e o dragão (1942), paisagens e retratos que evidenciam sua reflexão sobre a luta entre luz e sombra, bem e mal — temas que o artista associava às batalhas da vida e das ideias.

A mostra também apresenta esculturas marcantes, como Homem Andando (1921), com mais de dois metros de altura, uma das versões de Adão e O atleta em repouso (1938). O corpo humano, em movimento ou estático, foi sempre o centro de sua escultura, modelada com força expressiva e carga psicológica.
Durante a Primeira Guerra Mundial, De Fiori atuou como correspondente de jornal e presenciou de perto os horrores do conflito. Com a ascensão do nazifascismo, foi forçado a deixar a Alemanha e buscou refúgio no Brasil, onde pretendia permanecer temporariamente antes de seguir para os Estados Unidos. Aqui, contudo, ficou até sua morte, em 24 de abril de 1945, apenas quinze dias antes do fim da Segunda Guerra na Europa.
Sua trajetória inclui passagens por Munique, Paris e Berlim, participação em salões e mostras de destaque e obras em museus da Áustria, Itália e Alemanha. No Brasil, integrou grupos como a Família Artística Paulista e manteve produção intensa até o fim da vida, consolidando um legado que atravessa fronteiras e períodos históricos.