Por Reinaldo Glioche
“Fight or Flight”, já disponível no Amazon Prime Video, é um thriller de ação ousado e descaradamente divertido, que sabe exatamente o que quer ser — e entrega isso com uma precisão entusiasmada. Misturando a dureza e os combates estilizados de “John Wick” com o caos bem-humorado dos clássicos de Jackie Chan, o diretor James Madigan constrói um filme que abraça sua natureza exagerada, resultando em um dos thrillers aéreos mais genuinamente empolgantes dos últimos anos.
Josh Hartnett lidera o elenco como Lucas Reyes, um ex-agente do Serviço Secreto caído em desgraça e vivendo um exílio autoimposto em Bangkok. Afogando seus arrependimentos na bebida, Lucas recebe uma oportunidade inesperada de redenção quando uma antiga colega, Katherine (Katee Sackhoff), o recruta para uma missão: identificar e proteger uma figura misteriosa conhecida apenas como “O Fantasma” em um voo de longa distância de Bangkok para San Francisco. A premissa parece simples — até que a reviravolta acontece. A lista de passageiros do voo está repleta de assassinos internacionais, todos com uma única missão: matar O Fantasma… e Lucas junto com ele.
Desde sua sequência de abertura alucinante até o ato final, “Fight or Flight” mal dá tempo para o público — ou seus personagens — respirarem. A premissa inicial rapidamente se transforma em um sangrento jogo de gato e rato, repleto de sequências de ação inventivas que aproveitam ao máximo o ambiente confinado do avião. Se existe dentro de um avião, pode apostar que será transformado em arma aqui. Cintos de segurança, carrinhos de bebida, fornos de bordo, compartimentos superiores — tudo é válido no combate crescente. A criatividade e a fisicalidade exibidas nessas cenas de luta, coreografadas com precisão cirúrgica, rivalizam com algumas das melhores do gênero.
O mais importante é que “Fight or Flight” não apenas aceita o absurdo — ele se diverte com isso. Ao contrário de alguns filmes de ação que tentam forçar uma seriedade excessiva sobre uma premissa inerentemente ridícula, o filme de Madigan abraça sua energia de filme B sem ironia, mas com um claro senso de diversão. Pense nele como um “John Wick” mais brincalhão ou um “Sharknado” mais habilidoso — e isso está longe de ser um insulto. As motosserras podem ser um indício disso. O resultado é um filme que mantém o tom leve enquanto entrega adrenalina sem parar, satisfazendo tanto os fanáticos por ação quanto o público em busca de um entretenimento escapista.
Josh Hartnett brilha no papel principal, exibindo um carisma autoconfiante que equilibra perfeitamente o cansaço endurecido e o heroísmo relutante. Sua atuação combina um “estou velho demais para isso” rabugento com uma resignação bem-humorada toda vez que mais um assassino salta sobre ele no meio do voo. Hartnett, que vem reconstruindo sua carreira com papéis em “Oppenheimer”, “Black Mirror” e “Armadilha”, prova aqui que é um candidato natural a herói de ação contemporâneo — especialmente um que pisca para a plateia. Suas cenas de luta, executadas com agilidade e dedicação impressionantes, o consolidam como um dos anti-heróis de ação mais marcantes do ano.

Somando-se ao apelo do filme está Charithra Chandran como Isha, uma comissária de bordo que rapidamente se torna uma aliada inesperada — e altamente capaz — de Lucas. Chandran desconstrói com facilidade o típico estereótipo da donzela em perigo. Ela não apenas se defende contra a horda de assassinos, como, em muitos momentos, é Isha quem salva Lucas. A atuação afiada de Chandran, misturando charme astuto com destreza física, a destaca como uma futura estrela de ação. A química entre Hartnett e Chandran é palpável e envolvente, deixando o caminho aberto (e muito bem-vindo) para possíveis continuações.
Visualmente, “Fight or Flight” é um deleite. O diretor de fotografia Matthew Flannery, conhecido por seu trabalho em “The Raid”, traz energia e clareza cinética às cenas de luta caóticas. Seu trabalho de câmera na mão — que cobre aproximadamente 90% do filme — mergulha os espectadores diretamente na ação sem sacrificar a coerência. O resultado eleva o filme muito além do padrão dos filmes de ação, oferecendo sequências elegantes e pulsantes que são tão bem filmadas quanto brutais.
Embora “Fight or Flight” flerte ocasionalmente com o exagero e apresente alguns personagens secundários extravagantes — incluindo uma ex-amante sedenta de poder e um burocrata governamental exagerado — esses elementos apenas acrescentam charme à obra. O filme nunca finge ser algo que não é. Ele sabe que é uma aventura selvagem e ensanguentada e te convida a apertar o cinto e curtir o passeio. No fundo, “Fight or Flight” é cinema pipoca em sua melhor forma — ágil, eletrizante e descaradamente divertido.