Redação Culturize-se
Uma pesquisa inédita do Instituto Reuters para Estudos de Jornalismo, da Universidade de Oxford, revela uma transformação profunda no ecossistema informativo global. O relatório “Mapping News Creators and Influencers in Social and Video Networks” analisou mais de 40 mil nomes citados por usuários em redes sociais de 24 países, traçando o perfil dos influenciadores que hoje disputam espaço com a mídia tradicional.
O estudo mostra que 85% dos influenciadores de notícias são homens e que a maioria possui posicionamentos políticos alinhados à direita ou extrema-direita. Essa predominância masculina e ideológica é observada em todos os países analisados, inclusive no Brasil, que se destaca como um dos seis países com maior volume de menções a esses criadores — atrás apenas de Estados Unidos, Índia, Indonésia, Tailândia e Quênia.
No Brasil, o relatório aponta um cenário altamente politizado, onde influenciadores digitais têm alcance superior ao de veículos tradicionais. Cerca de 54% dos brasileiros usam redes sociais como principal fonte de informação, com destaque para TikTok e Instagram entre os mais jovens. Essa dinâmica favorece criadores independentes que misturam opinião, entretenimento e notícias em formatos acessíveis e engajadores.
O Instituto Reuters identificou três perfis principais de influenciadores: os comentadores políticos, com forte presença no X e YouTube; os explicadores, que traduzem temas complexos em vídeos curtos e didáticos; e os híbridos, que combinam jornalismo, crítica social e humor, especialmente ativos no TikTok e Instagram.
A pesquisa também revela que, ao contrário de países europeus, onde veículos tradicionais ainda dominam o fluxo informativo, o Brasil é marcado por uma comunicação centrada em figuras individuais com forte apelo identitário e regional. Essa concentração de atenção em poucos nomes amplia o poder de influência e a polarização do debate público.