Por Reinaldo Glioche
O 17º Festival de Cinema Francês do Brasil leva às telas do país, entre 29 de outubro e 11 de novembro, longas-metragens que passaram por Cannes e Veneza em 2026. A programação inclui “O Beijo Elétrico”, filme de abertura de Cannes, “O Sentido da Vida”, premiado pela atuação das protagonistas, e “Júpiter”, que chega ao público brasileiro antes de estrear na França.
Dirigido por Pierre Salvadori, “O Beijo Elétrico” é uma comédia romântica ambientada em Paris, em 1928. Antoine, pintor que perdeu a inspiração depois da morte da esposa, procura uma vidente para tentar falar com ela. Sem que ele saiba, a mulher é uma artista de circo envolvida em uma farsa, e acaba se apaixonando por ele. Com Pio Marmaï, Anaïs Demoustier e Gilles Lellouche no elenco, o filme foi visto por mais de 600 mil espectadores na França. A distribuição é da Bonfilm.
Outro destaque é “O Sentido da Vida”, do japonês Ryūsuke Hamaguchi, indicado ao Oscar por “Drive My Car”. O drama concorreu à Palma de Ouro e rendeu o prêmio de interpretação feminina a Virginie Efira e Tao Okamoto. A trama acompanha o encontro entre Marie-Lou, diretora de uma instituição para idosos, e Mari, diretora de teatro japonesa que enfrenta um câncer. A Vitrine Filmes distribui.

Fora de competição em Cannes, “De Gaulle: A França Livre”, de Antonin Baudry, é um thriller histórico em duas partes. Ambientado em junho de 1940, mostra o general Charles de Gaulle partindo para Londres, sem exército nem apoio, decidido a manter viva a resistência francesa depois da derrota diante da Alemanha nazista. O díptico passa de cinco milhões de ingressos vendidos na França e será distribuído pela Synapse.
A seleção também traz “A Busca de Charlie”, primeiro longa de Avril Besson, exibido em sessões especiais em Cannes e concorrente ao prêmio Caméra d’Or, dedicado a estreantes. Uma jovem viaja levando discos de vinil da avó e, pelo caminho, encontra pessoas que a ajudam a lidar com o luto. Entre os atores estão India Hair, Raya Martigny e Eric Cantona. Já “Molière, Cyrano e o Pequeno Rei”, de Michel Leclerc, passou pelo Cinéma de la Plage, programação de sessões ao ar livre do festival, e mostra o jovem Luís XIV escondido em uma companhia de teatro, sob a proteção de D’Artagnan e Cyrano de Bergerac.
De Veneza vem “Júpiter”, de Alexandre Smia, exibido fora de competição. O thriller político acompanha Paul Archambault, presidente recém-eleito da França, que enfrenta uma crise internacional depois de um atentado contra o presidente russo. Diante da ameaça de escalada nuclear, ele reúne a equipe no bunker do Palácio do Eliseu. O elenco tem Denis Ménochet, André Dussollier e Reda Kateb. O público brasileiro vê o filme antes do francês, já que a estreia na França está prevista para 18 de novembro.
O festival
Único evento nacional dedicado ao cinema francês realizado ao mesmo tempo em salas de todo o país, o festival terá obras inéditas no Brasil, de gêneros como comédia, romance, drama, suspense, animação e documentário. Em seu segundo ano com o nome atual, estará em cerca de 50 cidades e em aproximadamente 100 cinemas, de salas independentes e de arte a grandes redes comerciais.
Em 2025, o evento teve mais de 57 mil espectadores e cerca de 100 sessões educativas, de democratização e de acessibilidade. Nas 16 edições anteriores, somou cerca de 2,5 milhões de espectadores. Mais de 150 diretores e atores já passaram pelo festival, entre eles Catherine Deneuve, Audrey Tautou, Isabelle Huppert e Virginie Efira. Neste ano, também haverá encontros entre profissionais do Brasil e da França.