Redação Culturize-se
Entre os dias 21 e 24 de maio, a vila de Itaúnas, no Espírito Santo, será novamente palco da Festa Internacional da Palavra, evento que chega à sua segunda edição com uma proposta ambiciosa: descentralizar o acesso à cultura e valorizar as múltiplas vozes da literatura brasileira. Com entrada gratuita e uma programação diversa, a festa promove um mergulho na oralidade, na resistência e nas narrativas de autores indígenas, quilombolas, negros e de outros contextos marginalizados.
Idealizada e dirigida artisticamente pela escritora e atriz Elisa Lucinda, a Festa reúne nomes de peso da literatura nacional e internacional em uma proposta que une arte, debate e educação. “Nosso lema deste ano é: Ler a vida! A palavra é protagonista porque ela nos une e tem um enorme potencial antibélico”, afirma Lucinda, que celebra o evento como uma experiência formadora e transformadora.
Ao longo de quatro dias, o público poderá acompanhar mesas de debate, oficinas criativas, lançamentos de livros, apresentações musicais e encontros com autores. A curadoria é assinada por Guiomar de Grammont e Lívia Corbellari, que construíram uma programação centrada em vozes decoloniais e na força da oralidade como expressão identitária e política. Para Grammont, “as vozes da Festa lembram as dunas de Itaúnas — em constante movimento, plurais e potentes”.
Nesta edição, o evento presta homenagem a dois ícones da cultura brasileira: Nêgo Bispo, filósofo e líder quilombola que deixou um legado de pensamento crítico e ancestralidade, e Bernadette Lyra, escritora capixaba com forte contribuição à literatura histórica e ficcional.

Entre os convidados, destacam-se nomes como o escritor Itamar Vieira Junior, a ativista e escritora cubana Teresa Cárdenas, a poeta Suely Bispo, a autora Kiusam de Oliveira, o jornalista Jean Wyllys, a roteirista Eliana Alves Cruz, o filósofo Renato Nogueira e o pensador indígena Ailton Krenak. A programação também inclui nomes locais e representantes de movimentos sociais, como Selma Dealdina Mbaye, João Martins e Aline Dias.
A Festa da Palavra ainda traz apresentações musicais de Bia Ferreira e Sandra Sá, reforçando seu caráter multicultural. O evento também propõe diálogos com a juventude, estimulando a formação de leitores críticos e conectados com suas raízes. “Quando um jovem se vê na literatura, entende que sua história também pode ser contada e celebrada”, diz Lucinda.
Realizada em Itaúnas — vila inserida em um parque ecológico e cercada por comunidades quilombolas e caiçaras — a Festa reafirma o poder da palavra como elo entre ancestralidade e futuro. Depois de uma primeira edição virtual, realizada em 2021 por conta da pandemia, o evento se consolida como um dos mais relevantes do calendário cultural capixaba e nacional.