Redação Culturize-se
A 49ª edição da Feira Internacional do Livro de Buenos Aires, realizada até 12 de maio no tradicional espaço de La Rural, reafirma seu papel como um dos principais eventos literários da América Latina. Com uma programação diversificada e marcada por debates políticos, homenagens e uma ampla presença internacional, a feira atrai milhares de visitantes e consolida-se como um espaço de reflexão e celebração da literatura.
O discurso inaugural ficou a cargo do escritor e ex-diretor da Biblioteca Nacional, Juan Sasturain. Em uma fala repleta de erudição e ironia, Sasturain criticou o que chamou de “doença social” caracterizada pela perda da vergonha e crescente indiferença, sem mencionar diretamente o governo de Javier Milei. A presença do secretário de Cultura, Leonardo Cifelli, foi recebida com vaias e protestos do público, especialmente quando defendeu os cortes de subsídios ao setor editorial e agradeceu ao presidente e sua irmã, Karina Milei.
Pela primeira vez, uma cidade do mundo árabe foi homenageada na feira. Riad, capital da Arábia Saudita, ostenta um estande de 550 metros quadrados no Pavilhão Amarelo, oferecendo ao público uma imersão na literatura e cultura sauditas por meio de livros, palestras e atividades culturais.
Presença internacional e diversidade
A feira conta com a participação de renomados autores internacionais, incluindo os espanhóis Arturo Pérez-Reverte, María Dueñas, Javier Cercas, Rosa Montero e Fernando Aramburu, além da nicaraguense Gioconda Belli e do uruguaio Pablo Cohen.
Espaços dedicados à diversidade cultural também ganham destaque. O ciclo “La palabra indígena” promoveu encontros com escritores de povos originários, como Lecko Zamora (wichí), Liliana Ancalao (mapuche) e Daniel Huircapán (gününa küne). Já o espaço “Orgullo y Prejuicio” amplia sua programação com debates, performances e encontros com autores internacionais, celebrando a literatura LGBTQIA+.
A edição de 2025 incorpora inovações tecnológicas, como transmissões ao vivo de apresentações e debates, além de discussões sobre o impacto da inteligência artificial na literatura e a sustentabilidade na produção de livros. Uma das homenagens marcantes foi o Maratón de Lectura dedicado a Juan José Saer, destacando a influência do autor na literatura argentina contemporânea.
Apesar das tensões políticas e desafios enfrentados pelo setor editorial, a 49ª Feira Internacional do Livro de Buenos Aires demonstra a vitalidade e a importância da cultura literária na sociedade argentina, servindo como um espaço de resistência, diálogo e celebração da diversidade.