Redação Culturize-se
A Avenida Faria Lima ganha novos contornos até 31 de maio com a realização da ABERTO Rua, iniciativa que transforma um dos principais eixos financeiros da capital paulista em um percurso de arte contemporânea a céu aberto. Idealizado pela plataforma ABERTO, o projeto reúne mais de 20 obras distribuídas entre a Alameda Gabriel Monteiro da Silva e a Rua Adolfo Tabacow, propondo uma reconfiguração do espaço urbano como território expositivo.
A mostra gratuita marca um movimento de expansão da ABERTO, que desde sua criação se destacou por ocupar casas modernistas e marcos arquitetônicos emblemáticos. Agora, ao deslocar sua curadoria para a rua, a iniciativa tensiona as fronteiras entre arte e cidade, convidando o público a experimentar as obras no fluxo cotidiano, sem mediação institucional. A realização conta com apoio da Farah Service, responsável por viabilizar a ocupação do espaço público.
Reunindo artistas como Amilcar de Castro, Laura Vinci, Regina Silveira e Marcos Chaves, a exposição estabelece um diálogo direto entre arte, arquitetura e paisagem urbana. As intervenções se distribuem ao longo da avenida, alterando a percepção do espaço e incorporando elementos do cotidiano como parte da experiência estética.
Entre os destaques, o artista Paulo Nimer Pjota apresenta uma pintura de grande escala em frente à Casa Bola, projeto icônico de Eduardo Longo, que pode ser observada de diferentes ângulos — de carros, bicicletas ou edifícios ao redor. Já Marcos Chaves intervém no prédio da CET com uma obra que utiliza elementos cotidianos para propor uma crítica sutil ao ambiente urbano.
No canteiro central do túnel Max Feffer, Jarbas Lopes recria o símbolo do Yin e Yang na obra O Bem e o Mal-Entendido, explorando a ideia de complementaridade dos opostos. Outro ponto de destaque é a projeção Dígito, de Regina Silveira, exibida na empena da Casa Bola. A vídeo animação retoma um trabalho iniciado nos anos 1980 e investiga a relação entre corpo, imagem e espaço, reforçando a vocação pública da obra.
Segundo o idealizador Filipe Assis, a proposta é justamente abrir a experiência artística ao acaso e à diversidade da cidade. “No espaço público, a arte dispensa convite e acontece no encontro com o cotidiano”, afirma. Para Michel Farah, CEO da Farah Service, iniciativas como essa contribuem para qualificar o uso dos espaços urbanos e ampliar o acesso à cultura.
Ao transformar a Faria Lima em um museu a céu aberto, a ABERTO Rua reforça um movimento crescente de ocupação cultural das cidades, no qual a arte deixa de ser restrita a galerias e instituições para se integrar ao cotidiano. Nesse processo, o espaço urbano deixa de ser apenas cenário e passa a atuar como agente ativo na construção de novas experiências estéticas e coletivas.


