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Exposição valoriza a contribuição paulista para o hip hop global

Redação Culturize-se

Quarenta anos após o nascimento do Hip-Hop nas ruas de São Paulo, sua batida original reverbera com força na exposição HIP-HOP 80’sp – São Paulo na Onda do Break, em cartaz no Sesc 24 de Maio até 29 de março de 2026. A mostra convida o público para uma imersão na cultura urbana que floresceu com criatividade, resistência e arte, recriando os cenários, sons e gestos que marcaram uma geração.

Com curadoria coletiva formada por nomes históricos da cena, como OSGEMEOS, Rooneyoyo O Guardião, KL Jay (dos Racionais MC’s), Thaíde, Sharylaine, Rose MC e ALAM Beat, a exposição se propõe a preservar a memória e mostrar às novas gerações como o Hip-Hop se enraizou em São Paulo. A estação São Bento, a esquina da 24 de Maio com Dom José de Barros, a Praça Roosevelt e o Parque Ibirapuera são relembrados como pontos centrais de efervescência cultural.

Segundo o diretor do Sesc São Paulo, Luiz Galina, a exposição reforça o compromisso da instituição com a valorização de matrizes culturais diversas. “Entendemos que nas transgressões estéticas reside a semente de transformações sociais”, afirma.

Reunindo mais de 3 mil itens, a exposição traz objetos de colecionadores como Nelson Triunfo, Billy, Pierre, Ricardinho e Renilson do grupo Electric Boogies. O acervo inclui também registros da fotógrafa americana Martha Cooper, o documentário “Style Wars” (1983), filmes de Michael Holman e equipamentos de som originais da época. Há ainda flyers de bailes black, roupas de época, colaborações com o Museum of Graffiti de Miami e peças inéditas que testemunham a potência criativa do improviso.

Direto de 1987, na Estação São Bento: nas laterais, OSGEMEOS; no meio, Rooneyoyo O Guardião | Foto: Acervo dos curadores

O percurso expositivo simula uma linha de metrô, com estações temáticas que conduzem o visitante por momentos fundamentais da cultura Hip-Hop: do Bronx novaiorquino aos becos paulistanos, das primeiras batalhas de break à influência do cinema em filmes como “Flashdance”, “Beat Street” e “Breakin'”. Um vagão cenográfico abriga oficinas de graffiti, rodas de conversa, aulas de DJ e atividades educativas que estimulam o contato direto com a cultura de rua.

Um setup de DJ com aparelhos autênticos dos anos 1980, um piano cinético sensível ao movimento dos b-boys e projeções selecionadas completam a dimensão sensorial da mostra. A interação com o público é central: o Hip-Hop segue como um espaço de troca intergeracional, expressão artística e política.

Para os curadores, a proposta é evidenciar o caráter singular do Hip-Hop brasileiro, que nasceu da escassez e se moldou com criatividade: “Fizemos Hip-Hop sem saber que fazíamos Hip-Hop. Era liberdade, resistência, sobrevivência e diversão”, lembra Gustavo Pandolfo, d’OSGEMEOS. Rooneyoyo O Guardião reforça: “Essa cultura nos salvou. Criou um lugar para a gente sonhar”.

A presença feminina também é celebrada. Sharylaine, uma das primeiras-damas do rap nacional, fundou o grupo RAP Girls e segue ativa com sua arte marcada por militância e lirismo: “O Hip-Hop é a minha religião. A rima é minha oração”. Já Rose MC, pioneira como B.Girl e rapper, compartilha a trajetória de mulheres que ajudaram a erguer os alicerces da cultura urbana.

A exposição “HIP-HOP 80’sp” reafirma que a cultura do Hip-Hop é, antes de tudo, um modo de existir. De forma lúdica, política e colaborativa, o movimento que começou nas esquinas de São Paulo segue vivo, reinventado e pulsando no centro da cidade.

Foto: Getty Images / Michael Ochs Archives / 1983

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