Redação Culturize-se
A 12ª edição da Expocine, maior convenção de negócios de cinema e audiovisual da América Latina, encerrou sua programação na sexta-feira (3) após três dias de intensos debates sobre o presente e o futuro do setor no Brasil. Realizado no Cine Marquise e no Hotel Renaissance, o evento teve como tema central “Brasil, Janela para o mundo” e reuniu mais de 2.300 inscrições, somando a realização do Decupa e os dias de convenção.
A programação contou com mais de 25 expositores, 23 patrocinadores, 30 apoiadores e 14 distribuidoras apresentando conteúdos. Foram realizadas três exibições exclusivas, 15 painéis de discussão e cinco oficinas, totalizando mais de 40 horas de conteúdo. Entre os temas debatidos, destacaram-se a regulamentação do VOD, a formação de público, a popularização dos K-dramas no Brasil, os desafios da exibição e distribuição audiovisual na América Latina e, principalmente, a importância da acessibilidade no cinema.
O primeiro dia de programação, na quarta-feira (1º), apresentou as novidades do line up 2025/2026 das distribuidoras Gullane, Disney, O2 Play, Sony Pictures, ELO Studios e Diamond Films. A Disney exibiu em primeira mão “Mauricio de Sousa – O Filme”, com lançamento previsto para 23 de outubro, enquanto a ELO trouxe a atriz Klara Castanho para apresentar “#SalveRosa”, que chega aos cinemas na mesma data.
Um dos destaques foi o debate sobre o tema central da edição, “Brasil, Janela para o mundo”. Daniela Fernandes, diretora de Preservação e Difusão Audiovisual da Secretaria do Audiovisual no Ministério da Cultura, ressaltou a importância da presença brasileira em festivais internacionais, mas enfatizou que o fortalecimento do mercado interno é fundamental. “Nosso conteúdo brasileiro precisa também ocupar o espaço interno para que isso impulsione o mercado internacional. Ter relevância em seu mercado interno é um dos triviais que o mercado internacional olha para abraçar uma produção de um outro país”, afirmou.
A popularização dos K-dramas foi tema de painel específico. Victor Sato, gerente geral da Sato Company, destacou como a troca imediata com o público através das redes sociais transformou a forma de compreender o mercado. “Antes mesmo de um produto ser lançado, já recebemos um feedback imediato. Muitas vezes porque o público já sabe o elenco que vai estar, ou que algum grupo faz parte da trilha sonora. Então, esse retorno se torna um filtro essencial para sabermos o que interessa trazer para cá”, explicou.

O segundo dia, na quinta-feira (2), começou com debate sobre a regulamentação do VOD e as expectativas para aprovação do projeto de lei em tramitação no Congresso Nacional. Marcos Barros, presidente da ABRAPLEX, defendeu que a aprovação será benéfica para toda a cadeia produtiva. “Trazer este mercado para contribuir para o setor é claramente benéfico. É uma maneira de resolver as assimetrias, deixar as coisas mais justas, mas ao mesmo tempo é uma maneira de fazer o nosso negócio crescer”, afirmou.
O painel “As Grandes Decisões das Majors para os Próximos 10 Anos” reuniu executivos da Warner Bros. Pictures, Paramount Pictures e Paris Filmes. Marcio Fraccaroli, CEO da Paris Filmes, destacou a necessidade de formar nova geração de público através de produções nacionais. “O cinema brasileiro tem que ter essa vocação de formar plateia. Devemos aproveitar esse momento para nos potencializar, construir orgulho e construir boas histórias para fazer com que as pessoas se sintam na necessidade de se ver na tela de novo”, defendeu.
O diretor Daniel Rezende abordou a forma como a geração Z consome conteúdos audiovisuais, alertando para o risco de limitar criações aos dados de consumo. “É sempre muito bom entender o que a geração Z está vendo, mas nunca deixar que isso limite as nossas criações. Porque senão ficamos em uma grande repetição de números”, ponderou.
O terceiro e último dia, na sexta-feira (3), trouxe à tona a importância da acessibilidade no cinema. Marcella Fazzio, diretora da MAV, destacou que tornar as produções mais acessíveis é responsabilidade de toda a indústria. “Muitas pessoas ainda não sabem que o cinema nacional tem essa preocupação e está disponibilizando esses recursos, então precisamos trabalhar neste chamamento de público”, declarou.
Dika Vidal, secretária adjunta da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência de São Paulo, reforçou a necessidade de protagonismo. “Precisamos mostrar para a pessoa com deficiência que ela existe. Que ela é um sujeito de direitos iguais”, afirmou durante o painel “Cinema como Direito: Acesso, Inclusão e Formação de Públicos”.