Redação Culturize-se
O Museu Oscar Niemeyer (MON), em Curitiba, recebe a exposição Re-Selvagem, da artista francesa Eva Jospin. Esta é a primeira mostra da artista no Brasil e marca mais um passo na consolidação do MON como referência para a arte contemporânea internacional. A curadoria é de Marcello Dantas.
A exposição traz nove obras de grandes dimensões, entre instalações e desenhos, além de dois vídeos. Conhecida por criar meticulosos universos em papelão, Eva Jospin também utiliza materiais como seda bordada, madeira, bronze e tecidos em suas criações. O resultado são verdadeiras arquiteturas silenciosas que evocam tanto elementos da natureza quanto vestígios da história da arte europeia.
“Esta mostra reforça nossa missão de conectar o público paranaense com o que há de mais relevante na arte contemporânea mundial”, afirma a secretária de Estado da Cultura do Paraná, Luciana Casagrande Pereira. Ela destaca ainda o caráter diplomático da exposição, que integra as celebrações do Ano do Brasil na França e da França no Brasil, fortalecendo o diálogo cultural entre os dois países.
Para a diretora-presidente do MON, Juliana Vosnika, o trabalho de Eva Jospin proporciona uma experiência sensorial que vai além do visual. “Ao abordar a natureza e o tempo em obras poéticas, a artista provoca nossa memória afetiva”, diz. Juliana também reforça o papel dos museus como espaços de reflexão em tempos de excessos digitais. “Num mundo acelerado, o contato físico com a arte é essencial para equilibrar o cotidiano. O museu desperta sentimentos profundos e nos reconecta com a nossa própria história.”
Marcello Dantas, curador da mostra, destaca que Jospin cria florestas e arquiteturas imaginárias a partir de gestos repetitivos e precisos, transformando materiais simples em cenários que dialogam com o inconsciente coletivo. “As florestas de Eva Jospin são mais do que representações naturais. São territórios simbólicos, espaços de transformação, como nos contos antigos — lugares onde nos perdemos para nos reencontrar.”
É essa experiência que Re-Selvagem proporciona ao visitante: um percurso imersivo entre trilhas de papel, sombras e folhagens esculpidas. O caminho é íntimo, quase ritualístico, evocando memórias esquecidas e conduzindo o público a um universo de contemplação e silêncio.

Eva Jospin nasceu em Paris em 1975 e formou-se na École Nationale Supérieure des Beaux-Arts. Ao longo dos últimos 15 anos, vem desenvolvendo trabalhos reconhecidos internacionalmente, que transitam entre desenho, escultura e bordado. Suas obras dialogam com elementos dos jardins barrocos italianos, ornamentações rococó do século XVIII e grutas artificiais, sempre com uma abordagem contemporânea.
Entre suas principais exposições internacionais, destacam-se mostras em instituições renomadas, como o Palais de Tokyo (Paris), Hayward Gallery (Londres) e Musée de la Chasse et de la Nature (Paris). Em 2024, seu trabalho esteve em destaque na 60ª Bienal de Veneza, com a exposição Selva, no Museo Fortuny, e na Orangerie do Palácio de Versalhes. Eva também foi responsável pelos painéis bordados criados para o desfile da Dior Haute Couture 2021-2022.
A curadoria de Marcello Dantas contribui para o caráter imersivo da exposição. Reconhecido por integrar arte e tecnologia, Dantas tem no currículo exposições de impacto como Ai Weiwei: Raiz e Invisível e Indizível, além de trabalhos em museus e pavilhões no Brasil e no exterior.
Com Re-Selvagem, o MON avança na aproximação de Curitiba do circuito internacional da arte contemporânea.