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Em alta, audiovisual brasileiro vira foco de investimentos

Reinaldo Glioche

O audiovisual brasileiro vive um momento de reconhecimento inédito. Em março, “Ainda Estou Aqui”, de Walter Salles, conquistou o primeiro Oscar da história do país na categoria de Melhor Filme Internacional. Poucos meses depois, “O Agente Secreto”, de Kléber Mendonça Filho, brilhou em Cannes, garantindo prêmios que consolidaram o prestígio da produção nacional no cenário mundial. Esse ciclo virtuoso de conquistas não apenas reforça o valor cultural da cinematografia brasileira, como também serve de impulso para novas iniciativas de fomento por parte do poder público, que enxerga no setor um motor estratégico de emprego, inovação e projeção internacional.

BNDES retoma editais após nove anos

Depois de quase uma década, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) volta a lançar um edital específico para o cinema. O anúncio feito no dia 26 de setembro prevê R$ 15 milhões para o patrocínio de 25 longas-metragens, cada um com aporte de R$ 600 mil. O apoio contempla produções de ficção comercial, ficção autoral, documentário, animação e obras selecionadas em festivais, com ênfase em etapas de pós-produção e comercialização.

A iniciativa resgata uma tradição interrompida em 2017, quando os editais do banco foram suspensos. Entre 1995 e aquele ano, mais de 400 filmes receberam apoio, somando R$ 600 milhões em valores atualizados. Agora, a retomada simboliza também uma mudança de postura política. “O audiovisual brasileiro é uma das expressões mais potentes da nossa cultura e também um setor estratégico da economia criativa”, afirmou a ministra da Cultura, Margareth Menezes. O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o governo Lula recoloca o setor como prioridade e que o investimento deve gerar emprego e fortalecer a indústria cultural.

São Paulo injeta R$ 80 milhões no setor

A capital paulista também confirmou sua aposta no audiovisual com um novo pacote de R$ 80 milhões anunciado pela Prefeitura, em parceria com a Spcine e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA). Do total, R$ 60 milhões vêm do FSA e outros R$ 20 milhões correspondem à contrapartida municipal.

O aporte será distribuído entre projetos e empresas ao longo do segundo semestre de 2025 e o primeiro semestre de 2026, consolidando o maior programa de fomento já realizado pela cidade, que no total soma R$ 143 milhões. Para o secretário municipal de Cultura e Economia Criativa, Totó Parente, a medida reforça o impacto direto do setor na economia criativa. Já a presidente da Spcine, Lyara Oliveira, celebrou o fortalecimento institucional e o alinhamento entre as esferas federal e municipal. “São Paulo segue no caminho de se tornar referência mundial em produção audiovisual”, afirmou.

Apoio a players promissores

Outro movimento importante foi a aprovação de um financiamento de R$ 18 milhões do BNDES, com recursos do FSA, para a Boutique Filmes. A produtora, conhecida por títulos como “3%” (Netflix), “Rota 66” (Globoplay) e “Mila no Multiverso” (Disney+), pretende ampliar sua atuação global com novos longas e séries previstos até 2027.

Cena de “O Agente Secreto”

Os recursos permitirão não apenas o desenvolvimento de propriedades intelectuais, mas também a capacitação de profissionais, incluindo treinamentos em ferramentas de inteligência artificial aplicadas ao audiovisual. Para o sócio fundador Gustavo Mello, trata-se de um divisor de águas. “Vamos acelerar nosso plano de negócios, viabilizando novas produções, entrando no segmento de cinema e levando propriedades brasileiras para uma ampla audiência mundial”, afirmou.

O conjunto dessas iniciativas revela uma clara aposta na consolidação do audiovisual brasileiro como potência global. A conquista do Oscar, os prêmios em Cannes e os investimentos robustos confirmam um ambiente fértil para a criação e circulação de histórias brasileiras.

Mais do que vitórias pontuais, o momento sinaliza uma transformação estrutural: o audiovisual deixou de ser apenas expressão cultural para se consolidar como setor estratégico da economia. Com editais reativados, políticas municipais robustas e empresas preparadas para a internacionalização, o cinema e as séries brasileiras vivem um novo capítulo – possivelmente o mais promissor de sua história.

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