Redação Culturize-se
A Temporada França-Brasil 2025 chega ao Rio de Janeiro com força no campo das artes visuais. Após passar por Paraty, com a Flip, e pela capital, com o ciclo de filmes Nós Cosmopolitas, o calendário ganha centralidade no FotoRio 2025, que abre sua nova edição nesta terça (9), no Centro Cultural Justiça Federal (CCJF).
Com nove mostras em cartaz, o festival dedica atenção especial às relações entre fotografia e memória, ancestralidade e identidades, consolidando o intercâmbio artístico entre Brasil e França.
Entre os destaques da Temporada França-Brasil no FotoRio está a exposição “Mulheres: identidade e meio ambiente — Uma cartografia sensível”, com curadoria de Ioana Mello e Jean-Luc Monterosso, fundador da Maison Européenne de la Photographie, em Paris. A mostra reúne artistas que exploram a conexão entre corpo, território e ancestralidade feminina, construindo uma narrativa visual de resistência e pertencimento.
Outro ponto alto é “Sóis Negros”, que apresenta trabalhos de artistas afro-guianenses em diálogo com a cultura visual afrodescendente, trazendo forte influência das tradições francófonas. Já em “Nego Fugido – Memórias Quilombolas”, o fotógrafo italiano Nicola Lo Calzo constrói um registro documental-poético sobre manifestações culturais da Bahia ligadas à resistência negra, revelando memórias coletivas que persistem frente ao esquecimento histórico.
FotoRio no centro da Temporada França-Brasil
O FotoRio, que desde sua criação consolidou-se como espaço de experimentação da fotografia no Brasil, ganha em 2025 um papel de vitrine da cooperação artística França-Brasil. Com mostras que atravessam o documental, o político e o performativo, a edição deste ano reforça a fotografia como linguagem capaz de costurar identidades e histórias entrelaçadas pelos dois países.


Programação ampliada na cidade
Além do FotoRio, a Temporada segue com atividades de cinema, literatura, música e artes visuais. O Festival do Rio terá um recorte francês de 2 a 12 de outubro; a Ópera de Paris se apresenta no Theatro Municipal e no Teatro FIRJAN Sesi; e Madureira recebe, em novembro, a FLUP França Periférica, dedicada a autores e artistas da Martinica, Guadalupe e África.
Na praia de Ipanema, a artista Marie Hego instala sua série de esculturas de vento, enquanto a Biblioteca Nacional sedia, em dezembro, o evento “França-Brasil: 200 Anos de Relações e Poéticas”, encerrando a programação carioca.