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Sucesso do cinema brasileiro no exterior se deve à diversificação, diz diretor de "O Último Azul"

Por Patrícia Dantas, especial para o Culturize-se de Londres

Sob o comando de Gabriel Mascaro e estrelado por Rodrigo Santoro e Denise Weinberg, filme teve sua estreia no Reino Unido na noite de quarta-feira (8) durante a 69ª edição do Festival de Cinema de Londres

“O Último Azul” teve sua estreia no Reino Unido na noite desta quarta-feira (8), durante o primeiro dia da 69ª edição do Festival de Cinema de Londres.

Realizada no Curzon Soho com a casa cheia, a première londrina do longa-metragem contou com a presença da produtora Rachel Daisy Ellis e do diretor Gabriel Mascaro, que conversou com o Culturize-se logo após a sessão e comentou sobre o sucesso do cinema brasileiro no exterior atualmente.

“Pra mim é muito especial voltar ao Festival de Cinema de Londres pela quarta vez. A gente vivenciou um acontecimento muito grande com ‘Ainda Estou Aqui’ [vencedor do Oscar de Melhor Filme Internacional em 2025]. O cinema brasileiro é um cinema diverso e fico muito feliz em ver essa confirmação que veio com ‘O Último Azul’ saindo com o Urso de Prata do Festival de Berlim e, pouco tempo depois, ‘O Agente Secreto’ no Festival de Cannes, também de Pernambuco. Então isso é uma celebração pra gente perceber que deu certo o projeto de diversificar a produção cultural brasileira”, comemorou Mascaro.

Gabriel Mascaro e produtora Rachel Daisy Ellis | Foto: Getty Images for BFI

Segundo o cineasta de “Boi Neon” (2015) e “Divino Amor” (2019), a distribuição de recursos para fomentar a pluralidade e a diversidade em outras regiões do Brasil é fundamental para aumentar a visibilidade dos filmes nacionais mundo afora.

“Quando eu comecei a fazer cinema, todos meus colegas precisavam ir para São Paulo e Rio de Janeiro para fazer cinema, e hoje posso viver em Recife fazendo cinema. Então isso é especial, porque mostra o momento do Brasil que confirma nossa força num festival internacional, e essa força é marcada pela diversidade. Percebemos que filmes como ‘Ainda Estou Aqui’, ‘O Último Azul’ e ‘O Agente Secreto’ são filmes completamente diferentes, por isso temos que aprender que nossa força é ser diverso”, acrescentou.

“O que a gente está colhendo agora, neste momento, é justamente uma política pública que foi criada 15 anos atrás. Se a gente quiser continuar ou colher novamente daqui pra frente, a gente tem que olhar pro agora. Nosso desafio hoje é entender onde estão as políticas públicas e a importância do fortalecimento delas. E hoje, mais do que nada, o grande dilema gira em torno dos streamings. Então a regulação do streaming é fundamental, se a gente quiser perdurar isso que estamos vivendo hoje”, ponderou Mascaro.

Em “O Último Azul”, ambientado no Brasil de um futuro próximo, idosos são forçados a se alojar em colônias habitacionais para não prejudicar a produtividade de seus filhos. Ao atingir a idade fatídica, Tereza, interpretada brilhantemente pela atriz Denise Weinberg, sonha em voar de avião, e busca realizar essa fantasia embarcando em uma jornada ilegal e aventureira pela Amazônia, com a ajuda de Cadu (Rodrigo Santoro), proprietário de um barco clandestino. 

Cena de “O Último Azul” | Foto: Divulgação

“Me inspirei na minha avó. Ela começou a pintar logo após meu avô falecer. Foi muito inspirador pra mim ver alguém florescendo de novo. O que percebi quando comecei a investigar filmes é que geralmente eles são sobre protagonistas idosos lidando com a morte, doença, dizendo adeus à vida. Em outros filmes, há a nostalgia sobre um tempo que passou, sem conexão com o presente. Para mim, foi muito importante fazer um filme sobre essa mulher idosa no presente, encarando as contradições do presente”, explicou o diretor.

“É uma distopia, uma jornada de amadurecimento, um filme de rebelião política”, finalizou Mascaro.

‘O Último Azul”, que segue em cartaz nos cinemas brasileiros, ainda terá mais duas exibições na 69ª edição do Festival de Cinema de Londres, programadas para os dias 10 e 17 de outubro. Ambas sessões estão com ingressos esgotados.

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