Reinaldo Glioche
Filha dos atores Don Johnson e Melanie Griffith, Dakota Mayi Johnson já traz no sangue a vocação para a atuação. Mas foram suas escolhas cuidadosas, longe do star system, que fizeram da atriz de 35 anos uma das mais interessantes da nova Hollywood. Pegue, por exemplo, os dois filmes que estrela em 2025. A comédia romântica cult “Amores Materialistas”, novo longa da diretora de “Vidas Passadas”, Celine Song, e o darlig do Festival de Cannes, “Amores à Parte”. São dois projetos que parecem distantes da figura que se popularizou há dez anos na pele de Anastasia Steele na adaptação cinematográfica da série literária “50 Tons de Cinza”.
Os últimos créditos de Dakota incluem “Papai” (2023), ótimo drama existencial com Sean Penn, “Está Tudo Bem Comigo?” (2002), sobre uma mulher que se descobre lésbica, e “A Filha Perdida” (2021), em que tem um papel marcante neste que marca a estreia de Maggie Gyllenhaal na direção.
Dakota parece ansiar por um cinema com algo a dizer e que lhe desafie como intérprete. Nesse contexto, já parece mais bem sucedida, inclusive, que seus pais. Para além das escolhas, sempre corajosas e oportunas, a atriz evolui dramática e comicamente se provando a cada novo trabalho uma artista mais segura, propositiva e generosa.

Após aparição breve em “Loucos do Alabama” (1999), de seu ex-padrasto Antonio Banderas, Dakota se firmou com papéis menores em “A Rede Social” e “Anjos da Lei” antes do papel que a colocaria no mapa em “50 Tons de Cinza” (2015), que gerou duas sequências e a catapultou ao sucesso global.
Além de atriz, Dakota se firmou como produtora em sua TeaTime Pictures, lançada em 2019. A produtora assumiu protagonismo ao levar ao Sundance obras como “Está Tudo bem Comigo?” e “Cha Cha Real Smooth: O Próximo Passo”, em que Dakota participa também como atriz. A empresa está envolvida em cerca de 25 projetos, incluindo o futuro filme dirigido por ela baseada em roteiro de Vanessa Burghardt, com foco em protagonista adolescente autista.
O ponto de virada talvez tenha sido a refilmagem de “Suspiria” (2018), pilotada pelo italiano Luca Guadagnino, que já a havia dirigido no igualmente ótimo “Um Mergulho no Passado” (2015). São filmes que se embevecem de Dakota e exigem dela mais do que ela tinha ofertado ao cinema até então.
Dakota Johnson evoluiu de estrela de franquia para referência do cinema autoral, com escolhas que valorizam a profundidade narrativa e a representatividade. Ela tem usado sua influência para impulsionar vozes pouco ouvidas — especialmente ao virar produtora e se conectar com narrativas diversas.
A transição, embora audaciosa, se mostra bem-sucedida. Dakota cumpriu o objetivo: “fazer a diferença” e criar “mais oportunidades” para talentos inovadores. Os projetos de 2025 são testamento disso.
Em “Amores à Parte”, que estreia em agosto nos cinemas brasileiros, Carey (Kyle Marvin) vê sua vida virar de cabeça para baixo quando sua esposa Ashley (Adria Arjona) pede o divórcio. Em busca de apoio, ele recorre aos amigos Julie (Dakota Johnson) e Paul (Michael Angelo Covino), mas se surpreende ao descobrir que o casal encontrou a felicidade em um relacionamento aberto. Curioso e desesperado, Carey decide se aventurar, mas acaba ultrapassando todos os limites e levando a relação de todos eles à loucura.
Com humor ácido e situações inesperadas, “Amores à Parte” apresenta uma reflexão atual e irreverente sobre amor, liberdade e os desafios dos vínculos afetivos. Já em “Amores Materialistas”, que estreia por aqui em 31 de julho, a casamenteira Lucy (Dakota Johnson) conhece Harry (Pedro Pascal), um partido perfeito, o sonho ideal, mas se vê balançada por um antigo amor imperfeito quando reencontra John (Chris Evans), seu ex-namorado.
Com uma persona bem estabelecida e sem medo de ousar, como no muito contestado, mas divertido, “Madame Teia”, Dakota Johnson trilha um caminho não apenas promissor, mas empolgante no cinema americano e torna sua filmografia algo não apenas relevante para a cinefilia, mas um porto seguro para quem busca bons filmes.