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Curta de diretora brasileira é exibido em festival de terror nos EUA

Reinaldo Glioche

O cinema brasileiro de terror alcançou visibilidade internacional com a exibição de “Reflexos”, curta-metragem da diretora e roteirista Julia Cassini, no Screamfest 2025. O filme foi apresentado no último domingo (12), no Teatro Chinês de Los Angeles, um dos endereços mais emblemáticos da indústria cinematográfica norte-americana.

Considerado um dos maiores e mais prestigiados festivais de cinema de terror do mundo, o Screamfest serve como plataforma de lançamento para novos talentos do gênero e atrai atenção de críticos e profissionais da indústria global. A seleção de “Reflexos” representa um marco para a produção brasileira em um segmento ainda pouco explorado nacionalmente em circuitos internacionais especializados.

O diferencial do projeto está na colaboração do cineasta Eli Roth, nome estabelecido no terror contemporâneo com títulos como “O Albergue” (2005), “O Último Exorcismo” (2010), “Feriado Sangrento” (2023) e participação em “Bastardos Inglórios” (2009), de Quentin Tarantino. Roth aparece creditado como colaborador do curta-metragem, uma parceria que começou de forma inusitada.

Durante uma entrevista com o cineasta americano, Julia Cassini apresentou a ele a lenda urbana brasileira da “loira do banheiro”, narrativa que atravessa gerações no imaginário popular do país. Interessada na perspectiva de um especialista em terror, a diretora questionou como Roth abordaria cinematograficamente a história. A resposta veio em forma de uma narração improvisada do próprio Eli Roth, que reinterpretou a lenda sob sua ótica.

“Quando ele me deu a liberdade de criar o roteiro e fazer o curta, fiquei muito animada. Trabalhar com Eli e ver o projeto se concretizar dessa forma é um sonho que estou vivendo”, celebra Julia Cassini.

Foto: Divulgação

A autorização para que Julia desenvolvesse o roteiro a partir da versão narrada por Roth e utilizasse seu nome nos créditos demonstra o reconhecimento do cineasta americano pelo potencial da proposta. Mais do que um selo de aprovação, a parceria coloca o folclore brasileiro em diálogo com as convenções do terror internacional, traduzindo códigos culturais específicos para uma linguagem cinematográfica universal.

A escolha do Teatro Chinês como local de exibição adiciona simbolismo à trajetória do filme. Inaugurado em 1927, o espaço é um dos mais icônicos de Hollywood, conhecido por sediar grandes estreias e eventos cinematográficos ao longo de quase um século. Ver um curta-metragem brasileiro de terror projetado nessa sala representa não apenas reconhecimento artístico, mas também a inserção do cinema nacional em espaços historicamente reservados às grandes produções.

Para Julia Cassini, a experiência no Screamfest representa um ponto de virada profissional. A exibição em um festival de prestígio internacional posiciona seu trabalho no radar de distribuidores, produtores e críticos especializados, abrindo possibilidades para futuros projetos e parcerias. O curta funciona, nesse sentido, como cartão de visitas em um mercado altamente competitivo e segmentado.

“Reflexos” também evidencia o potencial narrativo do folclore brasileiro quando transposto para o cinema de gênero. A lenda da “loira do banheiro”, com suas variações regionais, carrega elementos de suspense, medo e transgressão que dialogam naturalmente com as estruturas do terror.

O Screamfest, realizado anualmente em Los Angeles, consolidou-se ao longo dos anos como termômetro para tendências do cinema de terror e descobridor de novos realizadores. Filmes exibidos no festival frequentemente seguem para circuitos maiores de distribuição ou chamam atenção de estúdios em busca de projetos originais. A presença brasileira na edição de 2025, portanto, não se limita a um reconhecimento pontual, mas abre caminho para maior inserção da produção nacional nesse nicho de mercado.

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