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Plataforma se streaming gratuita lançada pelo Governo do Ceará celebra o audiovisual local

Redação Culturize-se

O audiovisual cearense acaba de ganhar um novo e promissor capítulo em sua trajetória. No dia 5 de agosto, o Governo do Estado do Ceará lançou oficialmente a Siará+, uma plataforma gratuita de streaming dedicada exclusivamente à produção cinematográfica local. A iniciativa, capitaneada pela Secretaria da Cultura do Ceará (Secult), com apoio do Cineteatro São Luiz e do Instituto Dragão do Mar, representa um passo decisivo nas políticas públicas de valorização da cultura regional, aliando democratização do acesso, preservação da memória e incentivo ao desenvolvimento da economia criativa.

O lançamento, realizado no histórico Cineteatro São Luiz, em Fortaleza, foi marcado por uma homenagem ao cineasta Rosemberg Cariry, que completa 50 anos de carreira. Reconhecido por uma obra de forte carga poética e enraizada na cultura popular nordestina, Cariry teve exibida, na ocasião, a versão restaurada do filme “Lua Cambará: Nas Escadarias do Palácio”, com cópia recuperada pelo Museu da Imagem e do Som Chico Albuquerque (MIS-CE).

Para a secretária da Cultura do Ceará, Luisa Cela, a Siará+ simboliza a consolidação de uma série de investimentos estruturantes no setor audiovisual: “Trata-se de uma ferramenta que une cultura, tecnologia e economia criativa. Investir no Siará+ é promover acesso democrático à nossa produção e fortalecer um setor com enorme potencial de desenvolvimento”. A plataforma, gratuita e acessível mediante cadastro, já está disponível para o público, com um acervo que dialoga com diferentes gerações, estilos e territórios do Ceará.

Um catálogo com a cara do Ceará

Na sua estreia, a Siará+ reúne filmes de realizadores consagrados e emergentes, como Karim Aïnouz, Allan Deberton, Amanda Pontes, Leonardo Mouramateus, Bárbara Cariry, Armando Praça, Margarita Hernández, Pedro Diógenes, Wolney Oliveira e Zelito Viana, além do próprio Rosemberg Cariry. São obras que abordam desde a memória e identidade cearense até experimentações visuais contemporâneas, passando por temas como corpo e gênero, sertões urbanos e consciência social.

Foto: Divulgação

A curadoria e o licenciamento dos primeiros 50 títulos foram realizados pelo Instituto Tamanduá Synapse Cultural. Já a gestão da plataforma, incluindo moderação de conteúdo, relacionamento com realizadores e difusão, está a cargo do Cineteatro São Luiz, por meio de seu Núcleo de Acervo e Difusão Audiovisual. A proposta é que 70% do catálogo seja composto por produções realizadas no Estado, incluindo obras de instituições como o Porto Iracema das Artes, o Hub Cultural Porto Dragão e o Centro Cultural Bom Jardim.

Até o dia 24 de agosto, está aberta uma chamada pública para seleção de 30 curtas-metragens brasileiros, produzidos entre 2020 e 2025, nos gêneros ficção, documentário e animação. Os filmes escolhidos integrarão o acervo permanente da plataforma e farão parte de uma mostra online, reforçando o caráter dinâmico e em constante atualização da Siará+.

Cultura como ativo estratégico

Durante o evento de lançamento, Cariry reforçou a importância da continuidade das políticas públicas de cultura no Nordeste e destacou o potencial da indústria de bens simbólicos como eixo de desenvolvimento para o Ceará: “A grande revolução econômica, cultural e social possível do Ceará seria a indústria de bens simbólicos. Isso não é uma questão do Ceará se preparar para o futuro. Isso é uma questão de uma indústria do presente que prepara o futuro”, afirmou.

A diretora-presidente do Instituto Dragão do Mar, Rachel Gadelha, também celebrou a iniciativa: “Vamos fortalecer parcerias com mostras e festivais, enriquecendo o acervo e dando visibilidade às obras emergentes e já consolidadas do audiovisual local e nacional”.

Mais do que uma vitrine para o cinema feito no Ceará, a Siará+ pretende ser uma ponte entre criadores e públicos diversos, dentro e fora do Estado. O projeto se articula ainda com ações de formação e difusão, como o Projeto São Luiz Itinerante, que leva filmes a escolas, universidades e cineclubes, com material pedagógico complementar.

Foto: Divulgação

Um cinema que afirma identidades

A diretora de Formação do Instituto Dragão do Mar, Bete Jaguaribe, definiu bem o espírito por trás da plataforma: “Consolidar essa plataforma gratuita com o cinema do Ceará é um gesto de existência. Cinema é o que faz um povo existir para a humanidade. É o que nos faz ser reconhecidos enquanto território, enquanto pessoas de um País”.

Com a Siará+, o Estado do Ceará não apenas reafirma a relevância de seu cinema, mas também projeta para o mundo suas múltiplas vozes, histórias e linguagens.

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