Redação Culturize-se
Apesar de o blues ter influenciado profundamente diversos gêneros da música brasileira, poucos artistas nacionais se dedicam exclusivamente a essa tradição musical nascida no sul dos Estados Unidos. Neste cenário de escassez, o surgimento de Carol Carmim representa uma renovação bem-vinda. A cantora, compositora e intérprete traz não apenas técnica vocal e presença de palco, mas também uma perspectiva feminina contemporânea para um gênero historicamente marcado pela expressão da dor e da resistência.
Carol acaba de lançar seu disco de estreia em formato EP, intitulado “Azul Carmin”, disponível nas plataformas digitais. Com quatro faixas autorais e alma vintage, o trabalho apresenta um novo nome para o blues brasileiro, marcado por entrega vocal e lirismo que resumem seu perfil artístico.

O título “Azul Carmin” nasceu da fusão simbólica entre o azul da melancolia e o vermelho da raiva, revelando nuances de experiências emocionais e ambivalências. Com letras em português de sua autoria, o EP traz a visão feminina de Carol sobre amor, rejeição, raiva e luto, mesclando influências clássicas do blues com toque contemporâneo.
Dois singles vêm acompanhados por videoclipe: “Meu Silêncio”, parceria com o guitarrista Dan Marques, e “Blues da Rejeição”, um blues clássico com participação especial de Sérgio Duarte, um dos principais nomes da gaita blues no Brasil.
“Em ‘Azul Carmin’ rejeito os arquétipos da mulher passiva ou salvadora, meu desejo foi apresentar um retrato honesto e cru da condição humana. Em meio à dor, há espaço para o riso irônico, o deboche elegante e a beleza trágica das emoções mal resolvidas. É também uma homenagem às mulheres que ousaram cantar suas feridas em voz alta, com coragem e refinamento”, explica Carol.
Da medicina aos palcos
Carol Carmim carrega uma trajetória artística incomum. Ela trocou a medicina pelos palcos após atuar por 10 anos como médica. Com alma vintage refletida no visual retrô pin-up, a cantora teve inspiração tanto na força quanto na vulnerabilidade das divas do blues das décadas de 1940 e 1950.
A produção de “Azul Carmin” foi feita em parceria com Dan Marques, que também assina as melodias do disco. As gravações contaram com time completo de músicos na bateria, baixo acústico, teclado e naipe de metais. Carol também é intérprete e faz releituras cheias de personalidade, disponíveis em seu canal no YouTube.