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Em Brasília, Campus Party foca em inovação e inclusão digital

Redação Culturize-se*

A 17ª edição da Campus Party Brasil chegou ao fim neste domingo (22), marcando um capítulo especial na história do evento. Pela primeira vez realizada no Distrito Federal, a Campus Party ocupou o Estádio Mané Garrincha e transformou a capital do país em um polo efervescente de tecnologia, inovação e empreendedorismo. Durante cinco dias, Brasília recebeu mais de 150 mil visitantes na área aberta ao público, enquanto a Arena exclusiva, voltada aos chamados “campuseiros”, reuniu mais de 15 mil participantes imersos em uma programação com mais de 500 atividades.

A chegada da Campus Party ao Distrito Federal foi fruto de uma parceria entre a organização do evento, a Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação do Distrito Federal (SECTI-DF), a Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF) e o Governo do Distrito Federal. O objetivo, segundo o fundador da Campus Party, Francesco Farruggia, era claro: democratizar o acesso à tecnologia e aproximar a sociedade civil de discussões essenciais sobre o futuro tecnológico do país. “É um orgulho conectar pessoas, talentos e ideias em um lugar que pode influenciar o futuro do Brasil. O Fórum do Marco Regulatório de Inteligência Artificial foi um dos destaques e mostrou como o debate sobre a regulamentação da IA é essencial para garantir avanços responsáveis e inclusivos”, afirmou Farruggia.

O grande destaque desta edição foi justamente o Fórum do Marco Regulatório de Inteligência Artificial, que chegou à sua 4ª edição e reuniu representantes da sociedade civil, empresas, academia e governo. Um dos momentos mais aguardados foi a participação de Gabrielle Mazzini, idealizador da Lei de IA da União Europeia, que compartilhou sua experiência no processo de regulamentação do setor. As discussões reforçaram a importância da construção de políticas públicas em sintonia com os desafios contemporâneos da tecnologia.

A programação da Arena — espaço pago e reservado aos campuseiros — contou com uma infraestrutura robusta, incluindo conexão de 20 GB e camping para mais de 3 mil pessoas. Nomes conhecidos do universo da tecnologia e do empreendedorismo, como Iberê Thenório, Camila Farani, Sérgio Sacani e Gabriela Bilá, passaram pelos palcos, levando conteúdo técnico, discussões sobre ciência e debates sobre políticas públicas.

Mas a Campus Party foi além da inovação para profissionais e entusiastas. A Arena Open, com entrada gratuita, foi um verdadeiro laboratório interativo para todas as idades. Ali, crianças participaram da Campus Kids, um espaço de oficinas criativas que misturaram robótica, eletrônica e até neurociência. Um dos workshops ensinou crianças a programarem seu primeiro jogo com inteligência artificial, enquanto outras atividades envolveram a construção de robôs rabiscadores e máquinas de pinball feitas com materiais recicláveis. Mais de 300 crianças participaram das oficinas e puderam levar seus projetos para casa, reforçando o caráter educacional e transformador da iniciativa.

Entre os visitantes, estavam pais como Fernando Diniz de Carvalho, empresário do setor de tecnologia da informação, que levou a filha Alice, de 11 anos, para o evento. Eles participaram juntos de um workshop sobre linguagem de programação. “Quero que ela aprenda a lidar com tecnologia não de maneira passiva, só assistindo vídeos, mas criando o futuro com as próprias mãos”, disse o pai, entusiasmado.

Outro espaço que fez sucesso foi a Campus Play, dedicada aos eSports, e a Arena Drones, que misturou interatividade e tecnologia de ponta. Mas o grande destaque da Arena Open foi a Robocore, o maior campeonato de batalhas de robôs da América Latina. Com 800 participantes vindos de todas as regiões do Brasil, o evento reuniu categorias como robôs de sumô, autônomos e guiados por controle remoto, atraindo crianças e adultos em torno da competição.

Foto: EBC

Outro sucesso foi o Printer Chef, uma disputa gastronômica que aliou tecnologia e criatividade culinária. Chefs criaram pratos a partir de alimentos moldados em impressoras 3D, utilizando ingredientes como queijo vegano de castanha de caju e batata. O proprietário das impressoras, William Oliveira, destacou o potencial da tecnologia não apenas para gastronomia, mas também para aplicações na medicina regenerativa, utilizando técnicas de eletrofiação para produção de tecidos bioengenheirados.

Nem mesmo a neurociência ficou de fora. Em outra oficina, crianças usaram sensores de neurotransmissores para acender luzes ou mover objetos apenas com o poder da concentração mental. Para Leonardo Dias, de 9 anos, que participou dessa atividade, a lição mais importante foi a necessidade de foco. “Gostei de concentração. A gente tem que ter foco. Isso ajuda até na aula de matemática”, afirmou.

A diversidade de atrações e o compromisso com a inclusão digital tornaram a Campus Party 2025 uma edição histórica, que não apenas apresentou inovações tecnológicas, mas também inspirou uma nova geração a enxergar a tecnologia como ferramenta de transformação social e educativa.

*Com informações da Agência Brasil

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