Redação Culturize-se
O Brasil pode estar prestes a repetir um feito raro na história do Oscar: vencer a categoria de Melhor Filme Internacional em anos consecutivos, algo que não acontece há quase quatro décadas. O responsável por manter viva essa possibilidade é “O Agente Secreto”, dirigido por Kleber Mendonça Filho e distribuído pela Neon, que acompanha um ex-professor vivido por Wagner Moura tentando deixar o país com o filho em meio à ditadura militar brasileira.
A eventual dobradinha brasileira ganha ainda mais peso histórico porque a última vez que um país conseguiu vencer a categoria em anos seguidos foi a Dinamarca, em 1987 e 1988, com “A Festa de Babette” e “Pelle, o Conquistador”. Antes disso, apenas potências tradicionais do cinema europeu haviam alcançado o feito, como Itália, França e Suécia, em períodos dominados por cineastas como Federico Fellini, Ingmar Bergman, Vittorio De Sica, François Truffaut e Luis Buñuel. Nenhum país, vale lembrar, jamais venceu três vezes consecutivas.
O desempenho de “O Agente Secreto” ao longo da temporada de premiações ajuda a explicar o otimismo. O filme venceu três das quatro principais associações de críticos dos Estados Unidos — New York Film Critics Circle, Los Angeles Film Critics Association e National Society of Film Critics — além de ter surpreendido ao conquistar o Critics Choice Award e o Globo de Ouro de Melhor Filme em Língua Não Inglesa, superando concorrentes fortes como “Valor Sentimental” e “Foi Apenas um Acidente”.

No Oscar, o longa brasileiro alcançou um patamar ainda mais expressivo ao receber quatro indicações: Melhor Filme, Melhor Ator (Wagner Moura), Melhor Filme Internacional e Melhor Elenco. Moura, inclusive, chega à premiação embalado pela vitória no Globo de Ouro, repetindo o caminho trilhado por Fernanda Torres no ano anterior com “Ainda Estou Aqui”.
Assim como o vencedor brasileiro de 2025, “O Agente Secreto” é um drama histórico ambientado sob um regime autoritário, abordagem que tem ressoado fortemente junto aos votantes. Diferentemente do filme anterior, porém, chega ao Oscar já consagrado por prêmios importantes, o que aumenta sua competitividade.
A disputa está concentrada entre “O Agente Secreto” e o norueguês “Valor Sentimental”. Este último lidera com 63% de chance de vitória, de acordo com projeções de casas de apostas, impulsionado por nove indicações projetadas e apelo europeu, enquanto o brasileiro aparece logo atrás, com 34%, mantendo viva a expectativa de um novo capítulo histórico para o cinema nacional.