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Empresas começam a lucrar com streaming, mas declínio da TV atrapalha receitas

Reinaldo Glioche

As gigantes da mídia estão finalmente colhendo frutos de seus investimentos no streaming, mas os desafios em outras áreas continuam a pressionar seus resultados. No primeiro trimestre de 2025, Disney, Warner Bros. Discovery, Paramount Global e Comcast reportaram, juntas, mais de US$ 300 milhões de lucro em suas operações de streaming — o segundo trimestre consecutivo de rentabilidade no setor.

Disney e Warner Bros. Discovery lideraram com lucros expressivos, enquanto Paramount Global e o Peacock, da Comcast, reduziram significativamente suas perdas (conforme mostra o gráfico abaixo).

No entanto, a boa notícia para o streaming contrasta com quedas nas áreas tradicionais. As receitas da Warner Bros. caíram 10% no trimestre e a Paramount, 6%. As duas empresas veem o crescimento de suas plataformas digitais, mas ainda insuficiente para compensar o declínio das redes de TV — tradicionalmente responsáveis pela maior parte de seus lucros.

A derrocada da TV a cabo é a principal razão por trás de movimentos estratégicos recentes. A Comcast está separando suas redes, a Paramount caminha para uma fusão com a Skydance e a Disney já considerou vender parte de seus canais. A Warner Bros., por sua vez, estuda alternativas, mas ainda depende dessas operações, que representam cerca de 85% de seu lucro.

O segmento de parques temáticos segue como motor de crescimento. Disney e Comcast (dona da Universal Studios) direcionam boa parte de seus novos investimentos para essa área.

Em meio a esses cenários, as empresas têm repetido um novo mantra: “qualidade acima de quantidade”. No entanto, especialistas observam que tanto Disney quanto Warner Bros. sempre destacaram a qualidade como diferencial frente à Netflix. A mudança de discurso parece mais uma tentativa de sinalizar uma nova estratégia para impulsionar resultados.

O crescimento do streaming da Warner Bros. foi impulsionado principalmente pela expansão internacional. O Max aumentou ligeiramente sua participação no total de audiência televisiva nos EUA em abril, impulsionado por “The White Lotus”. A Disney, por sua vez, melhorou seus números após aumentar os preços de seus serviços sem sofrer grande perda de assinantes.

Apesar dos avanços financeiros, nenhuma das duas plataformas emplacou um dos 10 títulos originais mais assistidos do primeiro trimestre. O desafio, portanto, continua: manter a rentabilidade enquanto buscam novos sucessos que sustentem o interesse do público.

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