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Bafta sacramenta temporada de consensos com pouco espaço para surpresas

Redação Culturize-se

A temporada de prêmios de 2026 se cristalizou em torno de um pequeno grupo de filmes cuja dominância tanto no Oscar quanto no BAFTA ajuda a esclarecer o estado da corrida; mesmo quando aparentes esnobadas geram apenas um breve momento de intriga. No Oscar, “Pecadores” reescreveu os livros de recordes com inéditas 16 indicações, superando com folga “Uma Batalha Após a Outra”, que veio na sequência com 13. “Marty Supreme” e “Frankenstein” conquistaram nove indicações cada, número igualado por “Valor Sentimental”, que se tornou o filme internacional mais indicado da história da Academia.

Entre os destaques, “O Agente Secreto” garantiu quatro indicações ao Oscar( Melhor Filme, Melhor Ator para Wagner Moura, Melhor Filme Internacional e Seleção de Elenco) esta última uma surpresa particularmente bem-vinda, dado o cuidado na composição do elenco. Ainda assim, o impulso do filme na temporada tem sido irregular. As indicações ao BAFTA, anunciadas pouco depois da lista do Oscar, em grande parte refletiram o consenso da Academia no topo, ao mesmo tempo em que reforçaram discretamente quais concorrentes seguem à margem.

No BAFTA, “Pecadores” e “Uma Batalha Após a Outra” empataram com 13 indicações cada, enquanto a lista de Melhor Filme foi reduzida a cinco títulos: “Uma Batalha Após a Outra”, “Valor Sentimental”, “Pecadores”, Hamnet e Marty Supreme. Notavelmente, o BAFTA divergiu do Oscar ao reconhecer Chase Infiniti e Jesse Plemons nas categorias principais de atuação, incluir Odessa A’zion como coadjuvante e favorecer Paul Mescal em vez de Delroy Lindo em Ator Coadjuvante. Essas escolhas sublinham a sensibilidade ligeiramente distinta do BAFTA, embora pouco façam para reordenar de forma decisiva a corrida do Oscar.

De fato, em categorias como Melhor Filme, Melhor Direção e as principais disputas de atuação, o BAFTA basicamente confirmou o que já era evidente. Filmes ou performances ausentes tanto do SAG quanto do BAFTA — incluindo a atuação de Moura em “O Agente Secreto” — agora enfrentam uma batalha difícil, com poucas oportunidades restantes para ganhar fôlego ou conquistar vitórias televisionadas capazes de influenciar eleitores indecisos.

Onde a temporada se mostra mais reveladora é em Melhor Filme Internacional, categoria que agora é quase sinônimo da Neon. Quatro dos cinco indicados — “Foi Apenas um Acidente”, “O Agente Secreto”, “Valor Sentimental” e “Sirāt” — são distribuídos pela potência do cinema independente, marcando um domínio quase total. Mais notável ainda: todos os quatro filmes apoiados pela Neon receberam ao menos uma indicação adicional fora da categoria, um feito inédito na história do Oscar e um sinal de como o cinema internacional permeou profundamente os escalões superiores da Academia.

A disputa em si se afunilou entre “O Agente Secreto” e “Valor Sentimental”. O primeiro acumula vitórias no Globo de Ouro e forte visibilidade, enquanto o segundo, com nove indicações ao Oscar — incluindo Melhor Filme e Melhor Direção para Joachim Trier — sugere um apoio institucional mais amplo. Qualquer que seja o resultado, a conclusão é a mesma: a Neon, antes uma novata aguerrida por trás de “Parasita”, dominou o ecossistema cada vez mais internacional da Academia e está novamente pronta para sair com uma vitória definidora no Oscar.

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