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MASP lança "Histórias da ecologia" com obras de 28 países

Redação Culturize-se

De 4 de setembro a 1º de fevereiro de 2026, o MASP (Museu de Arte de São Paulo) ocupa todos os andares do edifício projetado por Pietro Maria Bardi com a coletiva internacional Histórias da ecologia. A mostra reúne mais de 200 trabalhos de artistas, ativistas e movimentos sociais de 28 países, incluindo Colômbia, Islândia, Japão, Nova Zelândia, Peru e Turquia.

O projeto propõe um olhar ampliado sobre ecologia, entendida não apenas como natureza ou meio ambiente, mas como uma rede de inter-relações entre humanos e “mais-que-humanos” – plantas, animais, rios, florestas e minerais. “Não conseguimos pensar a natureza separada do humano”, afirma o curador André Mesquita, que divide a curadoria com Isabella Rjeille.

A exposição está organizada em cinco núcleos temáticos. Teia da vida abre o percurso ao explorar cosmovisões indígenas, disputas territoriais e vínculos simbióticos entre seres. Entre os destaques está The Political Life of Plants (2021), vídeo do artista chinês Zheng Bo, que combina caminhada pela floresta de Bradenburgo com diálogos sobre biodiversidade e genética das plantas.

No núcleo Geografias do tempo, obras de artistas indígenas, afrodiaspóricos e urbanos abordam concepções diversas de temporalidade. O colombiano Aycoobo apresenta Calendário (2024), que conecta ciclos naturais amazônicos à passagem do tempo. Já a brasileira Ana Amorim expõe registros gráficos de sua rotina noturna em Passage of Time Study (2018).

Vir-a-ser investiga transformações entre seres humanos e não-humanos. A artista Rosana Paulino exibe desenhos da série Tentativas de criar asas, em que figuras femininas híbridas rompem casulos e conquistam asas. Já Castiel Vitorino Brasileiro propõe, na série Corpoflor, fusões entre corpo humano e natureza em retratos que desafiam normas de gênero e sexualidade.

A seção Territórios, migrações e fronteiras trata de deslocamentos e crises climáticas. A escultura Refugee Astronaut XI (2024), de Yinka Shonibare, traz figuras em tamanho real de astronautas vestidos com tecidos de inspiração africana, simbolizando migrantes forçados a vagar entre mundos.

Por fim, Habitar o clima reúne trabalhos que pensam formas de viver em meio a transformações ambientais. A instalação inédita Descida da terra/trabalho das águas (2025), de Cristina T. Ribas, reflete sobre as enchentes que devastaram o Rio Grande do Sul, projetando sobre tecido translúcido imagens de rios e bacias alteradas pelas cheias.

Segundo Isabella Rjeille, a exposição busca “ampliar a visão sobre a crise climática não como um evento isolado, mas como algo enraizado em estruturas coloniais e patriarcais que condicionam os modos de habitar o planeta”.

Histórias da ecologia integra o ciclo curatorial do MASP para 2025, que ainda contará com exposições individuais de Claude Monet, Frans Krajcberg, Abel Rodríguez, Clarissa Tossin, Hulda Guzmán, Minerva Cuevas e Mulheres Atingidas por Barragens.

O projeto dá continuidade à série “Histórias”, iniciada em 2017, que já abordou temas como sexualidade, diáspora africana, feminismo, dança, identidade brasileira, povos indígenas e diversidade LGBTQIA+.

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