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Mudanças climáticas alteram hábitos alimentares e aumentam risco de diabetes

Redação Culturize-se

Pesquisa publicada na revista Nature Climate Change mostra que o aumento da temperatura está levando os americanos a ingerir mais de 358 milhões de quilos de açúcar adicional por ano

O aquecimento global está provocando mudanças significativas nos hábitos alimentares da população dos Estados Unidos, especialmente no consumo de açúcar. Pesquisadores americanos e britânicos identificaram um aumento de mais de 358 milhões de quilos de açúcar ingerido anualmente no país.

A pesquisa demonstra que, quando as temperaturas sobem, os americanos aumentam significativamente o consumo de bebidas açucaradas e sobremesas congeladas. O fenômeno é mais pronunciado entre populações de baixa renda e menor escolaridade, evidenciando como as mudanças climáticas ampliam desigualdades sociais já existentes.

Metodologia revela padrões preocupantes

Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram dados detalhados de compras de 40 mil a 60 mil domicílios americanos entre 2004 e 2019, cruzando essas informações com registros meteorológicos de vento, precipitação e umidade. O período da pandemia foi excluído da análise.

“As pessoas tendem a consumir mais bebidas adoçadas à medida que a temperatura sobe cada vez mais”, explica Duo Chan, cientista climático da Universidade de Southampton e coautor do estudo. “Obviamente, em um clima em aquecimento, isso levaria a beber mais ou ingerir mais açúcar. E isso será um problema grave para a saúde.”

Os dados mostram que o consumo de açúcar aumenta conforme as temperaturas variam entre 12°C e 30°C. Acima dos 30°C, o apetite por doces começa a diminuir. Embora a diferença diária por pessoa não seja equivalente a uma barra de chocolate, o acúmulo ao longo do tempo gera impacto significativo na saúde pública.

Foto: Pexels

A pesquisa revela disparidades importantes no padrão de consumo. Homens ingerem mais refrigerantes açucarados que mulheres, e a quantidade de açúcar consumido durante períodos de calor é várias vezes maior em famílias de baixa renda comparado às mais ricas.

Trabalhadores que exercem atividades ao ar livre bebem mais refrigerantes que aqueles em ambientes fechados, assim como famílias chefiadas por pessoas com menor escolaridade. Entre grupos étnicos, os brancos apresentaram o maior aumento no consumo de açúcar, enquanto asiático-americanos não mostraram mudança significativa com o calor.

“Deve nos preocupar o fato de que a taxa de impacto é maior nos lares em que as pessoas ganham menos ou têm menos escolaridade”, afirma a Dra. Courtney Howard, vice-presidente da Global Climate and Health Alliance. “Esses grupos tendem a ter uma saúde básica mais frágil, então essa é uma área em que as mudanças climáticas parecem ampliar desigualdades já existentes.”

A pesquisa utilizou como parâmetro as recomendações da Associação Americana do Coração, que estabelece limite diário de 36 gramas de açúcar para homens e 25 gramas para mulheres.

Pan He, cientista ambiental da Universidade de Cardiff e autora principal do estudo, conta que começou a pensar na pesquisa ao perceber que americanos costumam escolher refrigerantes açucarados quando estão com sede. “Do ponto de vista da ciência da nutrição ou da ciência ambiental, isso pode ser um problema”, observa.

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