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Em "Vida Real", Ana Cañas se volta aos afetos e à autonomia artística

Redação Culturize-se

Com 11 faixas inéditas, “Vida Real” marca um momento de reinvenção na trajetória da cantora e compositora Ana Cañas, que trata o disco como uma espécie de estreia tardia: “É o que melhor me traduz em uma completude de metaversos”, afirma.

Após o êxito da turnê Ana Cañas Canta Belchior — com 180 apresentações aclamadas por público e crítica — a artista dá um passo adiante na autonomia criativa. “Vida Real” é integralmente autoral, com exceção da canção “O Que Eu Só Vejo Em Você”, de Nando Reis. A produção é assinada por Dudu Marote, referência na música brasileira desde os anos 90 e conhecido por trabalhos com nomes como Skank, Emicida e BaianaSystem.

O disco mergulha em diferentes momentos da vida da artista. São composições que atravessam tempos e afetos, e que refletem um olhar maduro sobre o amor, a perda, a intimidade e a arte. “Esse disco foi gestado há muitos anos dentro do meu coração”, conta Ana. “Escuto esse disco muitas vezes e adoro. Nunca tinha experimentado essa sensação.”

Foto: Fernando Furtado

A faixa de abertura, que dá título ao álbum, remonta à juventude da artista em um pensionato, e ganha força com o uso expressivo da gaita. Já o encerramento é marcado por emoção: “Do Lado de Lá” é uma homenagem ao irmão da cantora, falecido em 2013.

Ana também reuniu um time de colaborações de peso, que ampliam as camadas sonoras e afetivas do disco. Ney Matogrosso participa da faixa “Derreti”, Ivete Sangalo empresta sua voz a “Brigadeiro e Café”, e Roberta Miranda divide os vocais em “Amiga, Se Liga”. As parcerias refletem a amplitude do universo musical da artista e suas conexões com nomes que sempre admirou.

Entre as faixas, “Quero Um Love” chama atenção pelo tom leve e dançante. Criada durante as gravações, a música mistura reggae com piseiro-pop e traduz um novo momento afetivo da cantora. “Eu estava há muito tempo sem namorar ninguém e, nessa relação, eu me abri mais. A canção versa sobre permitir camadas mais profundas, entrelaçamentos e comprometimentos maiores”, explica.

Produzido ao longo de 14 meses, Vida Real é uma obra que ecoa o amadurecimento de Ana Cañas — musical, pessoal e espiritual. Com uma estética que transita entre o pop, a trova e o lirismo autobiográfico, o álbum reafirma sua identidade como artista plural.

A jornada de Ana em busca do essencial também encontra eco em versos de Bob Dylan, referência constante em sua carreira: “Quantos mares precisará uma pomba branca navegar antes de dormir na areia?”, cita. Em “Vida Real”, a artista parece, enfim, encontrar esse descanso: uma música que é casa e travessia, memória e presente.

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