Redação Culturize-se
Três anos atrás, Adéla Jergová era uma trainee eliminada de um reality show de K-pop. Hoje, aos 22, tem duas músicas entre as três mais ouvidas do mundo no Spotify, um álbum de estreia que entrou em 4º lugar na Billboard 200 e uma deferência vinda de uma das maiores atrizes da Hollywood atual. No programa de Jimmy Fallon, a atriz Nicole Kidman disse que não acreditava que alguém tivesse escrito uma canção com o nome dela.
Nascida em Bratislava, na Eslováquia, em 27 de novembro de 2003, Adéla estudou balé antes de apostar na música. A formação aparece até no título do disco: “Prima” remete à prima ballerina, posição para a qual ela se preparou a vida inteira. Aos 18 anos, mudou-se para os Estados Unidos para participar do “The Debut: Dream Academy”, competição produzida pela HYBE e pela Geffen Records para formar um grupo feminino global. O programa deu origem ao Katseye.
Adéla ficou de fora. Foi eliminada em setembro de 2023, ainda na fase de votação do público. Os jurados avaliaram que ela funcionaria melhor como artista solo. O programa também a retratou como “vilã”, por causa do feedback direto que dava aos colegas, imagem que ela mesma contestou depois.
O caminho solo começou em 2024, com os singles “Homewrecked” e “Superscar”, lançados de forma independente. Logo veio o contrato com a Capitol Records. Em fevereiro de 2025, ela lançou “Machine Girl”. A faixa debate a forma como o público consome conflitos entre mulheres e responde, em parte, à sua experiência no reality.
Em agosto do mesmo ano, chegou o EP “The Provocateur”, de eletropop e hiperpop, bem recebido por público e crítica. A “ProvacaTour” teve só quatro shows, todos esgotados. Em 2026, Demi Lovato a escolheu para abrir a “It’s Not That Deep Tour”.
Entre as referências de Adéla estão Ariana Grande, Lady Gaga e a Britney Spears dos anos 2000. Em entrevista, ela também elogiou Addison Rae.
“PRIMA” saiu em 4 de setembro, com 11 faixas e cerca de 31 minutos. Blake Slatkin e Dylan Brady assinam a produção executiva. O disco se afasta do som mais ruidoso do EP e aposta em pop, R&B e referências à música dos anos 2010. Conta a trajetória de quem persegue o sonho de ser estrela, com temas como ambição, sacrifício, saudade de casa e família.

A crítica se dividiu. A Rolling Stone chamou o disco de ambicioso e disse que Adéla convence quando para de dizer que quer ser grande e mostra por que deveria ser. A Ringtone Mag foi mais dura e apontou um trabalho formulaico, sem refrãos marcantes além dos dois grandes sucessos.
Esses sucessos são “KGB”, faixa de abertura, que compara a trajetória de Adéla à de uma espiã infiltrada na indústria americana, e “Ain’t In LA”, hit viral do TikTok. A segunda foi a primeira música de uma artista eslovaca a entrar na Billboard Hot 100.
“Nicole Kidman”: a canção que pode mudar tudo
Se “Ain’t In LA” abriu a porta, “Nicole Kidman” pode ser o que mantém Adéla dentro da sala. A faixa, segunda do álbum e quarto single, nasceu de uma situação banal. Adéla foi convidada para uma festa ligada ao Globo de Ouro, se arrumou toda e apertou tanto o corset que pensou: “I feel like Nicole Kidman right now”. Depois, assistiu a “De Olhos Bem Fechados” e ficou fascinada pela atriz. A música usa o nome dela como atalho para um sentimento de glamour, confiança e controle, e cita filmes como “Moulin Rouge!” e “Babygirl”.
O clipe, dirigido por Hannah Lux Davis, recria cenas de Kidman nesses filmes, além do célebre comercial da rede de cinemas AMC. Segundo a Billboard, o vídeo passou de 10 milhões de visualizações, e a faixa acumulou mais de 1,5 milhão de usos no TikTok. No Spotify global, entre 18 e 24 de setembro, subiu 14 posições até o 2º lugar, com 24,76 milhões de streams na semana, logo à frente de “Ain’t In LA”, que ficou em 3º. Na Hot 100, chegou ao 11º lugar.
O que torna a faixa um possível ponto de virada é o que ela diz sobre o momento da carreira. Até aqui, Adéla era contada pela história de origem: a eliminada, a vilã editada, a promessa. “Nicole Kidman” mostra uma artista que já se coloca como protagonista, com humor e autoconfiança. A reação de Kidman, que disse conhecê-la e planejar assistir a um show dela em Nashville, deu ao projeto um selo de legitimidade que dinheiro nenhum compra.
Há riscos. Os críticos mais céticos questionam se o repertório sustenta a fama além dos singles, e dois hits seguidos viram expectativa difícil de cumprir. Mas ter duas músicas simultâneas no topo do ranking global indica que a conversa já não é sobre um único acerto viral.
Adéla começou a primeira turnê como atração principal, a “The Red Bottoms Tour”, que já passou por Inglaterra, Canadá e Estados Unidos e ainda vai ao México e a vários países europeus. Aos 22 anos, ela tem o que o reality lhe negou: um palco inteiro só para ela. Resta saber se “PRIMA” é o ponto de partida de uma carreira longa ou o auge de um verão viral.
