Redação Culturize-se
Hayley Williams, vocalista do Paramore, sempre deixou claro que não é do tipo que fica parada esperando a inspiração bater à porta. Entre os ciclos de gravação e turnê da banda, ela encontrou uma saída inusitada para canalizar sua energia criativa: a criação de um projeto paralelo disfarçado, que funcionou por sete meses como um verdadeiro experimento social sobre a indústria musical.
Desde julho do ano passado, Williams e seu parceiro de longa data Daniel James, produtor que já trabalhou com Miley Cyrus, Demi Lovato e Selena Gomez, entre outros, mantinham perfis no Instagram e no Bandcamp sob o nome misterioso de Power Snatch. A ideia era simples, mas provocadora: será que as pessoas ouvem música com o coração aberto, ou o gosto flutua conforme o peso do nome por trás dela? Dois artistas consagrados, escondidos atrás de um perfil anônimo, enfrentaram o perrengue de todo iniciante: depender do algoritmo, disputar atenção e torcer pela boa vontade dos ouvintes.
Sete meses depois, o véu foi levantado. Em um programa da Apple Music Radio, Williams e James revelaram ao mundo que o Power Snatch era criação dos dois. O anúncio gerou reações imediatas — entre a empolgação dos fãs e o inevitável alvoroço sobre o futuro do Paramore. A própria Williams tratou de acalmar os ânimos: a banda não acabou. O trio de Nashville simplesmente opera em ciclos longos, com intervalos generosos entre álbuns e turnês. “A gente sempre tira longos intervalos para digerir as coisas. O Paramore sempre terá seu tempo porque é simplesmente o que fazemos”, disse a artista.

O que o Power Snatch entrega musicalmente, no entanto, está longe de ser um passatempo de férias. O “EP1”, disponível no Bandcamp, funciona como um laboratório sonoro que expõe facetas de Williams ainda pouco exploradas. A faixa “DMs” mergulha em um shoegaze melancólico de guitarras distorcidas, onde ela canta sobre versões passadas de si mesma e cicatrizes de relacionamentos antigos. Já “Assignment” chega com energia crua e pesada, evocando influências de guitarristas experimentais como Buckethead. Em “DUH”, batidas de breakbeat e acordes de piano puxam a artista de volta à adolescência, aos house shows cercados de músicos mais velhos.
O título “EP1” não deixa margem para dúvidas: isso é só o começo. O Power Snatch se apresenta como o primeiro capítulo de uma antologia que promete crescer. Enquanto isso, a agenda imediata de Williams pertence à sua carreira solo. A turnê Hayley Williams at a Bachelorette Party percorre a América do Norte e a Europa até o fim de junho, com agenda praticamente sem folga.
“Eu quero participar de cem bandas antes de morrer. Essa é a velocidade com que eu gosto de trabalhar”, resumiu Williams. Para quem duvida, o Power Snatch é a prova mais recente de que ela está cumprindo a promessa.