Reinaldo Glioche
Há algumas categorias do Oscar em que os vencedores costumam coincidir com o prêmio de Melhor Filme, sendo a mais notável Direção, mas há também uma categoria técnica com um nível significativo de sobreposição: Montagem.
Desde o início do Oscar, houve 36 anos em que o filme vencedor de Melhor Montagem acabou levando também o principal prêmio da noite. Essas vitórias não ocorreram de forma consecutiva, embora a maior sequência ininterrupta de coincidências tenha durado sete anos, de 1956, com “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, até 1962, com “Lawrence da Arábia”.
A tendência de Montagem caminhar junto com Melhor Filme voltou a se repetir nos últimos três anos, começando com “Tudo em Todo Lugar ao Mesmo Tempo” em 2022, seguida por “Oppenheimer” em 2023 e, no ano passado, por “Anora”. A categoria passou a ter ainda mais importância desde a ampliação para 10 concorrentes na disputa por Melhor Filme. Se você não está listado entre os indicados à Montagem, suas chances de triunfo na categoria principal são próximas de zero.
Pegue o caso de “Spotlight”, vencedor como Melhor filme no Oscar 2016. O longa ganhou apenas dois Oscars, um dos rendimentos menos destacados da história de um ganhador de Melhor Filme, mas ele estava lá indicado em Montagem, mesmo tendo perdido na categoria pra “Mad Max: Estrada da Fúria”. Em anos divisivos, com em 2006, quando “Crash – No Limite” e “O Segredo de Brokeback Mountain” polarizavam, a categoria pode se provar mediadora. “Crash” acabou ganhando como Melhor Filme, mesmo o troféu de direção indo para Ang Lee, o responsável por “Brokeback Mountain”. O filme de Paul Haggis levou também a estatueta de Montagem. Os dois filmes ficaram com três prêmios cada.
Outro caso emblemático aconteceu no Oscar 2013, quando Ben Affleck surpreendentemente ficou de fora da categoria de Direção por “Argo”. O filme, que viria a vencer como Melhor Filme mesmo diante desse revés, também faturou a estatueta de Montagem.

Os indicados deste ano a Melhor Montagem — todos também concorrendo a Melhor Filme — são “F1”, “Marty Supreme”, “Uma Batalha Após a Outra”, “Pecadores” e “Valor Sentimental”. São todos trabalhos de edição primorosos e que ajudam formatar filmes longos aferindo-lhes coesão narrativa, propositura dramática e energia.
O trabalho mais minimalista – e potencialmente mais refinado – talvez seja o de Olivier Bugge Coutté em “Valor Sentimental”. O mais vistoso e ostensivo certamente é o de Stephen Mirrione em “F1”. A disputa, no entanto, realmente se dá entre Andy Jurgensen, de “Uma Batalha Após a Outra”, e Michael P. Shawver, de “Pecadores”. São os filmes, com 13 e 16 indicações respectivamente, que vão polarizar os prêmios do Oscar 2026. Tenha certeza que aquele que ganhar Melhor Montagem irá ostentar também a principal estatueta da noite.