Redação Culturize-se
“A Baleia” nasceu em 2012 como uma peça teatral escrita pelo dramaturgo norte-americano Samuel D. Hunter. Estreando no Victory Gardens Biograph Theater, em Chicago, a obra rapidamente ganhou reconhecimento pela sensibilidade ao abordar temas como isolamento, obesidade, espiritualidade e reconexão familiar. A trama acompanha Charlie, um professor de inglês recluso com obesidade mórbida que tenta se reaproximar da filha adolescente após anos de afastamento.
Hunter construiu a narrativa a partir de experiências pessoais, incluindo o período em que foi expulso de uma escola religiosa ao se assumir gay, vivência que o levou a enfrentar depressão e ganho de peso durante os anos universitários. O dramaturgo também se inspirou em sua experiência como professor, incentivando alunos a escreverem com honestidade. Uma prática que moldou profundamente o personagem de Charlie.
A montagem original teve Shuler Hensley no papel principal e contou com Tasha Lawrence no elenco, ambos indicados ao Drama Desk Award. A peça também conquistou o prestigioso Lucille Lortel Award e recebeu críticas entusiasmadas, sendo descrita como uma exploração eloquente sobre a necessidade de honestidade quando o tempo se torna escasso.
O diretor Darren Aronofsky assistiu à estreia da peça e imediatamente vislumbrou seu potencial cinematográfico. No entanto, levou uma década para encontrar o ator ideal para interpretar Charlie. A escolha recaiu sobre Brendan Fraser, após Aronofsky ver trechos de sua atuação em outro projeto. O filme estreou no Festival de Veneza em 2022, recebendo seis minutos de ovação de pé, e rendeu a Fraser o Oscar de Melhor Ator em 2023, além de uma indicação para Hong Chau como Atriz Coadjuvante.
No Brasil, a peça ganhou montagem dirigida por Luís Artur Nunes, com José de Abreu no papel principal. Estreando em junho de 2025 no Teatro Adolpho Bloch, no Rio de Janeiro, a produção marcou o retorno do ator aos palcos após mais de uma década. A versão brasileira já passou por cidades como Belo Horizonte e Goiânia.
Nova montagem
Com direção e tradução de Luís Artur Nunes, uma nova montagem está em cartaz em São Paulo até 1º de março. O espetáculo marca a chegada de Emílio de Mello ao papel de Charlie. O elenco reúne ainda Luisa Thiré, Gabriela Freire, Eduardo Speroni e conta com a participação especial de Alice Borges.
No palco, o texto aborda questões como isolamento, culpa, intolerância religiosa e conflitos familiares. A condição física do protagonista funciona como um elemento central da narrativa, revelando as dificuldades de comunicação e afeto que atravessam suas relações pessoais.
Para o diretor Luís Artur Nunes, o texto de Hunter se destaca pela construção narrativa fragmentada e pela forma direta com que trata temas sensíveis. Já Emílio de Mello assume o papel com uma caracterização física complexa, que inclui o uso de próteses e enchimentos, exigindo preparação corporal e vocal específicas para compor o personagem.
