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Exposição de Davide Groppi imagina quando a luz vira linguagem

Redação Culturize-se

Na Volumnia, uma igreja desacralizada transformada em galeria na Itália, a luz se torna ao mesmo tempo meio e mensagem em Un’ora di Luce (Uma Hora de Luz), nova exposição dedicada ao designer italiano Davide Groppi. Com curadoria de Marco Sammicheli, a mostra apresenta Groppi não apenas como designer de iluminação, mas como um artista que “escreve com a luz”, traduzindo décadas de experimentação em uma experiência imersiva e quase metafísica.

Em cartaz até 26 de maio, a exposição traça a filosofia criativa de Groppi desde suas origens em Piacenza, onde nasceu, trabalha e vive até hoje. Em um documentário exibido no espaço, ele se define como um “garoto do interior”, ancorando sua estética refinada em um senso de simplicidade e observação. Essa sensibilidade atravessa a estrutura da exposição, dividida em cinco seções temáticas; cada uma concebida como uma espécie de utopia moldada pela luz.

Entre elas, Notte Africana convida o público a um cenário noturno e quase cósmico, enquanto Quasi Luce explora a harmonia improvável entre tons de rosa e azul. Em Questa non è una Lampadina, Groppi revisita o arquétipo da lâmpada, reduzindo-o à sua função essencial. Il Grande Blu mergulha o espectador em uma dimensão emocional de caráter oceânico, e Le Foglie e il Vento desafia os próprios limites do designer, resultando em um delicado pentagrama luminoso que evidencia seu domínio do minimalismo.

A exposição também apresenta novas obras. Umasi, uma luminária ajustável verticalmente, exemplifica a busca contínua de Groppi por inovação formal. Sua cúpula de papel — composta por três folhas que formam um prisma trigonal — dialoga com o design japonês, mantendo uma elegância contemporânea. O papel, aliás, é um elemento recorrente na obra do designer e também está presente na instalação Moon, que recebe o visitante na entrada com uma presença etérea.

Nas proximidades, a luminária de edição limitada Vera explora a percepção. Feita em vidro, sua forma escultórica se afunila em uma base de tom amaranto, enquanto a fonte de luz cria uma ilusão holográfica de uma lâmpada — questionando a própria noção do que é “real”. Como observa Groppi, a peça existe simultaneamente como objeto funcional e artefato decorativo.

Ao longo do espaço, os trabalhos de Groppi dialogam com uma seleção curada de mobiliário de meados do século XX, incluindo peças de Gio Ponti e Carlo Scarpa. Instalações como as luzes suspensas TaO e a escultural Rail reforçam a tese central da exposição: nas mãos de Groppi, a luz não é apenas iluminação, mas forma de expressão.

Abrangendo quase quatro décadas de produção, Un’ora di Luce revela, ao fim, um designer que vai além de moldar a luz, mas que a compõe, criando atmosferas que dissolvem as fronteiras entre arte, design e emoção.

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