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"Thunderbolts" devolve à Marvel seu brilho, mas não seu apelo

Por Reinaldo Glioche

É inegável que a Marvel já não goza da preponderância de outrora no debate cultural, mas ainda é significativa o bastante para chamar atenção da indústria e, claro, mobilizar fãs em todo mundo. A crise criativa do estúdio é longa e ajudou a depreciar seu impacto cultural. A estreia de “Thunderbolts*”, um grupo formado por personagens de segunda e terceira classe do MCU, todos já introduzidos em filmes anteriores, representa mais um passo nessa reconstrução.

Trata-se de um filme estratégico, já que conecta diversos pontos da fase anterior do MCU com o que virá a seguir, mas é, também, uma produção relativamente diferente dentro da lógica do estúdio. Há um investimento grande no aspecto emocional – e até o uso da saúde mental como motor dos principais conflitos – em detrimento da ação anabolizada, embora ela esteja presente e muito satisfatória.

Os Thunderbolts, no cinema, surgem como uma espécie de releitura dos Guardiões da Galáxia e, inclusive narrativamente, têm esse propósito. Estruturalmente, o filme se assemelha a “Esquadrão Suicida”, um longa de mesmo perfil da DC.

A ideia de usar a Yelena de Florence Pugh como âncora dramática é acertada não apenas pelo talento descomunal da atriz, mas pelo fato de sua personagem ser aquela sem qualquer tipo de poder, o que imediatamente a difere dos demais personagens e a aproxima do público. Seu despropósito, portanto, serve como espelho tanto para a audiência como para os outros personagens.

O filme de Jack Shreier é perspicaz nas amarrações que faz sobre valor próprio e laços familiares postiços – mais uma vez remetendo à “Guardiões da Galáxia”. É uma abordagem diferente, pero no mucho, já que viabiliza um meta-filme. Ainda neste contexto, o cineasta consegue administrar bem as pressões do passado e futuro da Marvel, ou seja, seu viés como produto, e ainda entregar um bom filme.

Outro acerto é basear o clímax em uma dimensão emocional inclassificável, já que a ameaça é o ser mais poderoso do MCU, pelo menos concebido no planeta Terra, cujos heróis não teriam a menor chance – como atesta uma ótima cena de luta – de vencer no plano físico. Mas há desequilíbrios, como o desfecho frágil que só se justifica pela necessidade de mover adiante a engrenagem do MCU.

De toda forma, “Thunderbolts*” é mais um testemunho de que a Marvel voltou, ainda que bem menos charmosa e atraente do que costumava ser.

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