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"Prédio Vazio" marca nova fase de Rodrigo Aragão no terror nacional

Por Reinaldo Glioche

O cineasta capixaba Rodrigo Aragão, referência no cinema de gênero no Brasil, estreia seu novo longa-metragem, “Prédio Vazio”, que chega aos cinemas com distribuição da Retrato Filmes. Vencedor do Prêmio Retrato Filmes na 28ª Mostra de Tiradentes, o filme marca uma virada na carreira do diretor, conhecido por ambientar suas histórias em cenários rurais e sobrenaturais. Agora, Aragão leva o terror para um ambiente urbano, explorando a tensão psicológica em meio ao litoral ensolarado de Guarapari (ES).

A trama acompanha Luna, interpretada por Lorena Corrêa, uma jovem em busca da mãe desaparecida no último dia de Carnaval. Na investigação, ela se depara com um antigo prédio abandonado, onde descobre que o vazio aparente esconde almas atormentadas. O contraste entre a euforia do Carnaval e o silêncio dos dias posteriores transforma a famosa cidade turística em um espaço de assombro e desorientação.

Inspirado na atmosfera psicológica de filmes de horror japoneses e na estética visual de mestres como Dario Argento, “Prédio Vazio” propõe uma experiência singular, mesclando elementos do terror clássico com uma ambientação tipicamente brasileira. Aragão, responsável também pelos efeitos especiais artesanais do filme, reforça a autenticidade de suas produções, característica marcante em sua trajetória.

É o filme em que Aragão mais propõe uma artesania, em que seu arrojo estético se mostra mais ambicioso. Esse cinema de artifício, que dribla as limitações orçamentárias, também acaba se impondo sobre as aspirações narrativas. O que significa dizer que as potencialidades da trama jamais atingem certa plenitude.

Ainda assim, é digno de nota que um cinema tão marginal chegue à tela grande em um momento que bailarinas, Ethan Hunt e alienígenas fofinhos tomam conta dos multiplexes. A conquista do prêmio na Mostra de Tiradentes garantiu a “Prédio Vazio” um investimento de R$ 100 mil para sua campanha de lançamento.

Além de Corrêa, o elenco conta com nomes como Gilda Nomacce, Rejane Arruda e Caio Macedo, que entregam atuações densas e intensificam a sensação de claustrofobia e suspense.

Rodrigo Aragão, que já acumula mais de 125 participações em festivais internacionais e 34 prêmios por filmes como “Mangue Negro” e “O Cemitério das Almas Perdidas”, reafirma seu papel como um dos principais nomes do horror nacional. “Prédio Vazio” não só amplia os limites de sua filmografia, como também confirma sua capacidade de reinventar o gênero no Brasil, sem abrir mão de sua assinatura autoral.

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