Pesquisar
Feche esta caixa de pesquisa.

Imperfeito com gosto, "Supergirl" emula geração Z com coração

Por Reinaldo Glioche

A escolha de Graig Gillespie para dirigir “Supergirl” não poderia ser mais acertada. Responsável por filmes como “Cruella” (2021), “Eu, Tonya” (2017) e pelo escopo criativo de séries como “Seus Amigos e Vizinhos” e “A Namorada Ideal”, o cineasta domina como poucos (homens) a febril inquietação do amadurecimento feminino e ostenta uma habilidade ímpar de navegação por um humor que beija o cinismo de mãos dadas com o drama.

“Supergirl” se embevece dessas características. Não é um filme perfeito, nem almeja sê-lo, mas é um entretenimento com coração que acredita em sua protagonista e não a alça apenas a um símbolo emergente da geração Z.

Diferente no tom de “Superman” (2025), o roteiro de Ana Nogueira, com bagagem na TV, acerta de cara em ambientar a ação do filme fora da Terra. Dessa maneira evita-se uma sobreposição temática com o filme de James Gunn e abre novas possibilidades tanto para a personagem, como para o próprio DCU – algo encampado, ainda, pela divertida presença do Lobo de Jason Momoa.

“Supergirl” se resolve como um pastiche de “Star Wars”, “Mad Max” e “John Wick” apoiando-se nessas referências para situar o filme em um terreno ainda pouco explorado pela DC no cinema. Não à toa Milly Alcock citou em entrevista recente como referência para a composição da obra o “Guardiões da Galáxia” de James Gunn.

É verdade que os vilões, os bandoleiros (espécie de piratas galácticos) liderados por um irreconhecível Matthias Schoenaerts, não são lá muito convincentes como antagonistas, mas Gillespie e Nogueira sabiamente fazem desse antagonismo apenas um detalhe do longa. O que importa de verdade é a jornada de aceitação de Kara. E Alcock compreende isso muitíssimo bem.

Graig Gillespie orienta Milly Alcock no set | Foto: Divulgação

Carismática, a atriz defende essa personagem de espírito rebelde e com traumas em suspensão com minúcia e coração. É irresistível torcer por Kara e, em algum nível, ela surge como uma personagem mais cativante do que o Clark de David Corenswet. Essa distinção importa em “Supergirl” muito em virtude de escolhas morais que a personagem faz e que o Superman jamais faria. Isso ajuda a talhá-la de mais complexidade e dimensão.

“Supergirl” é menos ambicioso do que “Superman” e, em certo nível, isso libera o filme a ser mais imperfeito, como sua protagonista; e isso se comunica muito bem com um público que o longa almeja conquistar.

Isso pode te interessar

Cinema

Em "O Convite", Olivia Wilde coloca casamento em xeque

Música

Sertanejo retoma trono do streaming brasileiro em 2026

“Eu Te Seguro (Ao Vivo)”, de Panda, lidera ranking do primeiro semestre

Cinema

Nolan testa os limites da realização cinematográfica com "A Odisseia"

Marketing

Google segue como principal porta de entrada para decisões de compra no Brasil

Estudo mostra que 64% dos consumidores recorrem espontaneamente ao buscador

Newsletter Gratuita

Tenha o melhor da cultura na palma da sua mão. Assine a newsletter gratuita de Culturize-se. Todos os dias pela manhã na sua caixa de e-mail.