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Keanu Reeves é um anjo atrapalhado na ótima comédia "Quando o Céu se Engana"

Por Reinaldo Glioche

A estreia na direção do ator e comediante Aziz Ansari é daquelas gratas surpresas que o cinema independente oferta de quando em quando. “Quando o Céu se Engana”, título genérico para o esperto “Good Fortune”, tem como grande trunfo ser uma fábula moral que resiste ao viés moralizante e não faz da correção política uma plataforma de comunicação.

Isso não quer dizer que o filme, também escrito por Ansari, esculhambe com Deus e o mundo, mas existe a compreensão de que é possível fazer humor, e falar de propósito, sem estar alinhado com agendas ideológicas e pressupostos socioculturais.

Ansari vive um sujeito que não deu certo na vida. O tipo de sentimento que une millennials em todo o mundo. Arj (Ansari) é puro descontentamento e assume uma postura derrotista em face do infortúnio profissional. O que chama a atenção de Gabriel (Keanu Reeves), um anjo de pequeno escalão, cuja missão é evitar que pessoas que dirigem mexendo no celular se acidentem. Gabriel quer salvar uma alma perdida, tarefa que cabe aos anjos mais elevados na hierarquia angelical, e enxerga em Arj, o candidato ideal.

A ideia de Gabriel é mostrar que a vida do rapaz vale a pena ser vivida, bem na linha “A Felicidade Não se Compra” (1946), clássico de Frank Capra, mas o que o futuro reserva para Arj não o empolga. Gabriel, então, muda de estratégia e faz Arj trocar de vida com o bonachão Jeff (Seth Rogen), um tipo que fez fortuna apostando em apps bem-sucedidos. O tiro sai pela culatra já que Arj se embevece pela vida de Jeff e se recusa a voltar para a antiga versão de sua vida. A decisão, não afeta apenas Arj e Jeff, mas também Gabriel, que mexeu onde não devia.

O elenco, que ainda conta com Keke Palmer e Sandra Oh, é um deleite, mas Keanu Reeves é o grande destaque. O ator registra Gabriel com a medida exata de deslocamento, carisma e graça e capricha na química tanto com Rogen, como com Ansari. O astro acaba sendo o coringa de um filme bastante divertido que ri de si mesmo e convida os trintões e quarentões a fazerem o mesmo.

O desfecho é previsível, é verdade, mas o caminho até lá é uma epopeia genuinamente cômica que desvia das armadilhas do politicamente correto e encontra no amadurecimento emocional de sua trinca de protagonistas, um renovado propósito.

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